Representação feminina

A representação feminina na Câmara Federal ainda deixa muito a desejar. Incentivo legal para a participação delas na política há. Na prática, entretanto, os recursos do fundo partidário raramente são distribuídos como determina a norma. Mais das vezes, o cacife da sigla decide o quinhão destinado a cada candidatura como bem entende, de modo arbitrário, prevalece a conveniência partidária. No fim das contas, manda quem pode e obedece quem tem juízo.
O resultado se vê na composição da Câmara dos Deputados. Apesar dos novos incentivos a candidaturas femininas nas eleições de 2022, a bancada feminina no Congresso cresceu menos do que em 2018. Em 2023, o número de mulheres na Câmara passará de 77 para 91 deputadas eleitas.
Sergipe contribuiu para o esforço de equalizar a disparidade de gênero em Brasília, elegendo duas deputadas federais – um feito inédito. Yandra de André e a Delegada Katarina são as primeiras mulheres eleitas para o cargo no estado.
É certo que a participação política não está restrita aos ambientes de disputa partidária. Também não é errado observar que a militância feminista está se fazendo cada vez mais presente nas ruas, pautando o debate de gênero a partir de uma óptica própria, que reverbera nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais, em todas as esferas da vida pública e privada. Convém observar, contudo, que a luta é diária e conquistas não caem do céu. A reafirmação incansável de seus direitos é condição para que elas não voltem a ser caladas novamente.

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