Reta Final das Eleições em Aracaju: a dinâmica e acirrada disputa a partir das pesquisas induzidas de setembro

* Cleverton Costa Silva
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Como visto nas edições dos dias 24 e 28 de setembro, na mesma sessão desta página 4, os números das pesquisas induzidas desde a pré-campanha vêm nos ajudando a compreender e narrar a dinâmica eleitoral aracajuana para a eleição majoritária deste ano de 2024. À medida em que o “dia D de Democracia”, em termos eleitorais, vem se aproximando, maior é o número de pesquisas realizadas e divulgadas ao público. Para se ter uma ideia, somados os dias 28 e 29 de setembro, oito novas pesquisas foram registradas no PesquEle, para divulgação nos últimos dias antes de 6 de outubro.
Assim, neste artigo foram compilados 11 resultados das intenções de votos estimuladas / induzidas realizadas por sete institutos, sendo que ECM, Atlas Intel, INOR e GADU realizaram duas pesquisas cada em setembro, enquanto CTAS, Paraná e Quaest realizaram uma no período. A divisão do mês de setembro em duas quinzenas, embora quebre a dinâmica mensal dos números, demarca de forma melhor a intensificação da disputa, e destaca as últimas pesquisas colhidas no período onde a disputa se acirrou de vez, na segunda quinzena. Para a interpretação dos dados, seguem-se todas as regras já enunciadas nos artigos anteriores.
No mês de setembro, fortemente marcado pelo início da propaganda eleitoral nas rádios e emissoras de TV, as bolsonaristas Emília e Yandra de André Moura deixaram de ser as únicas candidatas nas memórias mais recentes do eleitorado, com seus quadros na TV, há meses atrás, e com seus mandatos eletivos, onde puderam fortalecer suas candidaturas divulgando seus feitos parlamentares. Assim, apesar dos tempos de propaganda contrastantes, com Danielle Garcia e Niully Campos com menos de 1 minuto; Candisse de Lula e Yandra com mais de 1 minuto e meio; Emília com pouco mais de 2 minutos graças à centena de Deputados(as) Federais do PL; e Luiz Roberto, com a maior coligação, que lhe rendeu pouco mais de 3 minutos de propaganda, estas(es) vêm tendo a oportunidade de difundir suas propostas por estes meios.
Indo-se aos números da primeira quinzena de setembro, percebe-se que com o passar dos dias, as candidaturas antes mais superexpostas de Emília e Yandra refluíram em intenção de votos, possivelmente solapadas em especial pelas propagandas do governista Luiz Roberto, que desde o início mesclou seus programas e inserções entre o tom propositivo, porém continuísta da administração de Edvaldo Nogueira, e as denúncias contra as líderes das pesquisas.
Para Emília Corrêa, o respiro veio de institutos de atuação nacional, Paraná Pesquisas e Quaest, que divulgaram os resultados no dia 16, coletados dias antes. A Paraná foi contratada pelo próprio PL, e está no rol dos institutos que puxa para cima a média da candidata, alimentando a mesma desconfiança como nos casos do IDPS e INOR em maio, respectivamente contratadas pelo PL e Xodó FM. Geralmente são estes os institutos que colocam a candidata bolsonarista do PL no patamar dos 40%, e que nas propagandas eleitorais são utilizadas no artifício da divulgação dos “votos válidos”, para retoricamente abater os seus adversários, o que embora não seja proibido, mostra-se desonesto por omitir os indecisos.
Quanto a Yandra de André, embora sempre figure na 2ª colocação, seu desempenho nas intenções de votos é sempre instável, e em setembro se mostra com um viés tendente à baixa, sem conseguir cravar os 25%. Tal situação da 2ª colocada na primeira quinzena contrasta com a situação de Luiz Roberto no contexto do governismo, tendo quatro das sete pesquisas estáveis nos 13%, com recorde de 17% na Paraná Pesquisas.
Ainda sobre Luiz Roberto, as pesquisas ECM de 2 e 13 de setembro, comparativamente, servem de termômetro para se atribuir a subida de 4% à exposição em rádio e TV do candidato atrelado à administração Edvaldo, em especial nos bairros da Zona Norte, impactados pela Perimetral Oeste e o conjunto de obras estruturantes. Aparentemente, o fortalecimento do candidato preferido de Edvaldo e Mitidieri pode se dar também devido à tendência de baixa de Danielle Garcia, que isolada, claramente perdeu o fôlego inicial, e vê o seu recall da eleição de 2020 se esvair. Porém, as pesquisas divulgadas até 29 de setembro não captaram fato que tende a provocar desgaste do governista: a denúncia de demissão por justa causa da Petrobras, comprovada com documentação do processo administrativo, no dia 25.
No contexto das esquerdas, como adiantado no artigo anterior, exceto pelas pesquisas Atlas Intel, onde registrou 5% no início e 4% no final de setembro, nas outras pesquisas do mês passado Niully Campos (PSOL) refluiu, registrando apenas valores que, arredondados, variaram entre 1% ou 2%. Com pouco tempo de TV e rádio, Niully conta com a força de sua chapa proporcional e apoios em movimentos sociais “mais radicalizados à esquerda”.
Já Candisse (PT), na 1ª quinzena de setembro, consolidava-se num movimento crescente rumo aos 10% de intenções de votos, tendo como número mais favorável os 14% na Atlas Intel. Para a candidata petista, jornalista por ofício, os programas na televisão e nas rádios ajudaram a massificar as informações sobre o Programa de Governo Aracaju na Medida Certa, a sua condição como candidata do “Time de Lula” e parceira do Governo Federal, as realizações das gestões de Déda na Prefeitura de Aracaju no período 2001-2006, e a sua desenvoltura e identidade, dando ao eleitorado aracajuano a oportunidade de lembrar de suas matérias, gravadas ou ao vivo, nas TVs Atalaia e Sergipe, há anos atrás.
Ao mesmo tempo em que a candidata Candisse de Lula se apresentou este ano como novidade eleitoral, ela vem se mostrando na TV como um rosto familiar, bastando à mesma, a sua equipe de campanha e à militância petista terem sucesso no desafio de reativarem a memória afetiva da população, na expectativa de que estes fatores se convertam em votos. Somam-se a estes fatores o apoio do Senador Rogério Carvalho, seu esposo e maior incentivador, recentes declarações de apoio de personalidades públicas nas redes e os conteúdos da campanha destacando a recepção calorosa da candidata nas comunidades.
Na 2ª quinzena, em termos de divulgação de pesquisas, a primeira semana foi de certo marasmo, especificamente no período entre 17 e 22 de setembro, período em que os institutos colhiam dados para divulgação na semana seguinte, onde quatro se tornaram públicas: INOR (23/9), Gadu (23/9 e 29/9) e Atlas Intel (26/9). Estas quatro pesquisas representaram o período de grande acirramento da campanha, e sua representação em gráfico à parte se mostra interessante para ilustrar movimentos significativos daquela semana.
Neste contexto, a pesquisa INOR mais recente, como em 30 de maio e 9 de setembro, atribui a Emília Corrêa os maiores patamares em intenção de votos, tornando-se destaque constante nas peças publicitárias onde ela canta “vitória no 1º turno”. Cronologicamente, embora as mais favoráveis, as pesquisas INOR ainda registram leve queda de Emília: 41% em maio, 40% no início de setembro e 38% no dia 29. Esta mesma pesquisa, que não capta o recente escândalo que estourou no colo do governismo, trouxe Luiz Roberto na frente de Yandra, e também foi comemorada pelo governista em uma de suas peças para a TV.
Vistas num quadro geral, as pesquisas da 2ª quinzena apontam para uma robusta subida de Candisse rumo aos 16,44% da última pesquisa Gadu, quando na primeira quinzena patinava em pouco menos de 10%. As duas pesquisas Atlas Intel atribuem 14% à petista. Os resultados refletem também a dificuldade de Danielle Garcia para se manter no patamar de 10%; apontam ainda uma queda de Emília para o patamar entre 25 e 30%, números que não captaram a repercussão pública de denúncias de “rachadinha” no seu gabinete parlamentar, com acusações que vieram a público, baseadas em inquérito policial vazado no dia 22 de setembro, que forçaram a candidata bolsonarista a realizar uma coletiva de imprensa no dia seguinte, para tentar conter danos.
No contexto do racha governista, os números sugerem uma reviravolta no confronto entre Luiz Roberto e Yandra, que quando visto na 1ª quinzena apontava para a queda da candidata do União Brasil e a possível subida do pedetista para os 15%, mas na 2ª quinzena aponta para um distanciamento entre estes. Tal reviravolta, somada à variação entre 3% e 4% de margem de erro para mais ou para menos, admitidas pelos institutos de pesquisas, colocam Yandra, Luiz Roberto e Candisse em empate técnico, e aumentam ainda mais a imprevisibilidade dos resultados a serem apurados nas urnas em 6 de outubro.
Quanto à tendência de votos brancos, nulos e dos indecisos, os números seguem seu curso natural de redução, cronologicamente, à medida que a data do pleito se aproxima. Consideradas as divergências das pesquisas, estas variaram entre 13%, predominante entre os institutos locais, e patamares de apenas 1% registrados pela Atlas Intel. Tais números podem diminuir bastante e se tornarem votos válidos após o dia 3, data do debate realizado pela TV Sergipe.
Às leitoras e leitores do Jornal do Dia faço meus agradecimentos pela atenção a esta série desafiadora de artigos. É necessário lembrar que todo o trabalho de organização e análise dos dados apresentados aqui ao longo destes meses, embora sério, é um trabalho de especulação baseado em consulta a amostras da população votante. Porém, o importante mesmo é o que “o universo” (total do eleitorado aracajuano) irá decidir no dia 6 de outubro, como a celebração da vontade soberana da população, ao eleger suas/seus representantes para a Prefeitura e a Câmara de Aracaju.
As pesquisas restantes, quando e se vierem a público, se seguirem as regras aqui consideradas, serão agrupadas no próximo artigo, com representação gráfica e comentários comparados aos resultados do 1º turno.
* Cleverton Costa Silva é pesquisador
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