Por Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Fazia algum tempo que não ia à Universidade Tiradentes (UNIT). Das vezes que estive por lá, não havia conhecido ainda o belíssimo hall de entrada. Geralmente ficava nas dependências do rico acervo de Luiz Antônio Barreto, um dos andares do bloco da Biblioteca Central. Curiosamente, foi ali que prestigiei, na última ocasião, a abertura de uma exposição sobre o jornalista Joel Silveira, sob a coordenação e curadoria da historiadora e museóloga Sayonara Viana.
Meu primeiro contato com ela foi no Museu de Arte Sacra em São Cristóvão, numa reunião promovida pelo hoje Arcebispo de Aracaju, dom João Costa. Não sei precisar o ano. Acho que 2016 ou 17. Na ocasião, ela já era conhecida como uma das maiores autoridades no que diz respeito à cultura museal, mas também nas lides da salvaguarda do patrimônio cultural sergipano. Seu valoroso trabalho naquela instituição lhe fez alçar voos ainda maiores.
Aquele encontro não foi suficiente para firmar uma amizade sincera e uma parceria. Isto foi acontecendo aos poucos, naturalmente, sem interesses escusos, sem trocas de favores ou algo do tipo. Admiração mútua e abertura para que cada um pudesse demonstrar os seus valores e talentos. Assim foi e tem sido nas ações do Memorial do Judiciário de Sergipe, mais de perto em sua Revista, que ela retomou com o entusiasmo e a competência que lhe são peculiares.
Sayonara Rodrigues Viana nasceu em Aracaju-SE, no dia 24 de março de 1970. É filha de José Viana e Ziza Rodrigues Viana. Fez o Ensino Fundamental no Educandário Murilo Rosa e o Ensino Médio no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe. É Bacharela em Ciências Econômicas e Licenciada em História pela Universidade Tiradentes. Na Universidade Federal de Sergipe, fez o Bacharelado em Museologia. Também é Pós-Graduada em Educação e Patrimônio Cultural de Sergipe.
Integrante fundadora da Confraria Sancristovense de História e Memória, nos últimos seis anos vem construindo uma trajetória digna de aplausos e de louvor. Em 2015, foi organizadora do livro “Lourival Baptista: pacificação e desenvolvimento”; em 2017, produziu o posfácio do livro “Poética na imagem sobre fotografia de Humberto Aragão”. Como museóloga, exerceu a função de Coordenadora dos Museus, Patrimônio Documental e Textual da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe entre os anos de 2011 a 2013; coordenou as ações na área cultural do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (2014 e 2015) e exerceu o cargo de diretora técnica do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão (2016-2018). Atualmente é diretora do Memorial do Poder Judiciário do Estado de Sergipe, além de empreender pesquisas e ações para a implantação do projeto de longa duração do Memorial de Sergipe da Universidade Tiradentes.
O convite para compor a lista de autores do livro “Retratos e Paisagens Afetivas de Sergipe” (que surgiu a partir da catalogação do acervo fotográfico da UNIT e do projeto do Memorial de Sergipe/UNIT) selou em definitivo uma parceria que ainda, com a mercê de Deus, dará o que falar e fazer. Lançado na última quinta-feira, nas dependências da UNIT, com 293 páginas, ricamente ilustradas, trata-se de uma ode à memória fotográfica sergipana e aos vários sujeitos que ajudaram nessa linda história.
Ao todo, são quinze autores, incluindo a organizadora. Ela reuniu um time que representada as principais gerações de ontem e do tempo presente da intelectualidade sergipana. Ainda no clima de comemorações dos 200 anos da Emancipação Política de Sergipe, o livro organizado por Sayonara Viana traz como prefaciador o professor doutor Antonio Lindvaldo Sousa (Departamento de História-UFS), entusiasta e amante da fotografia, como se autodenomina. Fonte privilegiada e diferenciada da ciência histórica, a fotografia diz mais do que a sua estática essencial e material. “Ela é um substantivo feminino. Está inserida no território do sensível”, ressalta Lindvaldo à página 14.


