Rio São Francisco: técnicos preveem vazões ainda mais reduzidas

Em nova reunião de avaliação sobre as defluências praticadas na bacia do rio São Francisco, realizada na sede da Agência Nacional de Águas – ANA, em Brasília, nesta quinta-feira (9.10), ficou decidido que tanto o setor elétrico (Cemig, Chesf, ONS) como os órgãos governamentais, incluindo a ANA,  devem se reunir no próximo dia 22 em Salvador (BA), para apresentar aos membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco o planejamento para os próximos meses em relação ao nível do rio São Francisco. Os técnicos dos órgãos federais vislumbram um cenário mais conservador que o atual para os próximos meses, em virtude da atual estiagem, segundo dizem, pior até mesmo do que a verificada no período que provocou o racionamento de energia, no ano de 2003.

Com relação à represa de Sobradinho, na Bahia, a defluência atual de 1.100 m3 por segundo deve permanecer até o final de outubro, mas existe a proposta de reduzir o nível do rio para apenas 900 m3 por segundo nos períodos de carga leve, de 0h às 7h, entre novembro e dezembro, e aumentá-la para 1.700 m3 por segundo, com média de 1.500 m3, nos períodos de maior demanda. O objetivo seria aliviar o reservatório de Tucuruí, no rio Tocantins, de forma a atender ao aumento da necessidade de maior geração de energia. Além disso, ficou definido que a represa de Três Marias, em Minas Gerais, terá a defluência reduzida de 150 m3 para 140 m3 por segundo até o final de outubro, podendo chegar a 120 m3 após esse prazo.

Diante da nova proposta de redução, confirmada pelos técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda, avisou que o colegiado não irá participar de qualquer aprovação nesse sentido e permanecerá vigilante. Para ele, é a parte interessada, ou seja, o setor elétrico, quem deve dar a notícia.  "Entendemos as dificuldades, mas é necessária uma discussão com todos os usuários da bacia. O setor elétrico não pode impor, goela abaixo, suas opiniões e decisões. Essa variação tem consequências gravíssimas na questão ambiental", alerta Miranda.

No encontro, o gerente do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Vinícius Forain Rocha, disse que a medida visa promover a reserva de água, a geração de energia e o secamento dos reservatórios. Ele relatou, ainda, que a energia armazenada no Nordeste está em 20% e, sem o controle das vazões, esse percentual estaria abaixo da metade. Apesar do cenário projetado pelos técnicos, o governo federal evita projeções que levem a racionamento.

Compartilhe esta notícia