“O serviço é precário, a ponto de jogar por terra todo o investimento em mobilidade urbana realizado na capital sergipana.”
A depender do Ministério Público do Trabalho em Sergipe, as empresas do grupo Progresso permanecerão sob intervenção judicial por longo período. Sem o cumprimento dos compromissos firmados com os rodoviários, apela-se a um último recurso: o bloqueio de bens e ativos, a fim de saldar as pendências com os trabalhadores.
Os empresários da Progresso não podem acusar nenhuma espécie de intransigência com as dificuldades enfrentadas ao longo dos últimos anos. Neste período, o MPT-SE propôs diversas ações judiciais relacionadas a atraso salarial, recolhimento do FGTS, décimo terceiro, férias, saúde e segurança do trabalho, aprendizagem profissional, pagamento de verbas rescisórias, todo tipo de falta prevista pela legislação vigente. Infelizmente, apesar das promessas sempre reiteradas, os rodoviários ainda estão a ver navios.
A intervenção é necessária. Sem a licitação do transporte coletivo de passageiros em Aracaju, a contratação das empresas hoje responsáveis pela prestação do serviço pouco difere de um acordo de cavalheiros estabelecido entre o poder público municipal e os empresários do setor. O resultado é visto nas ruas, na forma de veículos caindo aos pedaços e usuários insatisfeitos nos pontos de ônibus, quase sempre atrasados para o trabalho. O serviço é precário, a ponto de jogar por terra todo o investimento em mobilidade urbana realizado na capital sergipana.
Impossível ignorar a dívida da Progresso com os rodoviários em greve. Uma dívida, convém sublinhar, contabilizada em pagamentos atrasados e também em direitos negados. Há, portanto, um saldo devedor francamente imoral, estimado não apenas em moeda corrente, mas, sobretudo, em respeito à dignidade dos trabalhadores.


