Sargento Getúlio, retrovisor da história

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O aniversário de trinta anos do filme Sargento Getúlio, dirigido por Hermano Penna, está oferecendo aos meninos empenhados na atualização do discurso audiovisual sergipano o retrovisor da perspectiva histórica. Há poucos meses, o filme percorreu o interior sergipano, sendo projetado em sítios, povoados e alguns assentamentos de Poço Redondo e Canindé.

Agora, o texto de João Ubaldo Ribeiro vai ser encenado no palco do Teatro Atheneu. Trata-se de uma disposição ao reconhecimento, um reflexo da identidade preservada entre a narrativa e a realidade brasileira, mesmo depois de tanto tempo.

O espetáculo – Essa é uma história de aretê, diz João Ubaldo Ribeiro, no início de Sargento Getúlio. O conceito de aretê estava intimamente ligado à cultura grega. Cumprir seu destino, realizar sua incumbência. Junto a isso, estava o sentimento de que era melhor viver uma vida curta e honrada do que uma longa vida medíocre, fugindo de seu destino, da glória, do seu propósito na existência.

O personagem de Carlos Betão recebe a missão de levar um prisioneiro político de Paulo Afonso, na Bahia, a Aracaju, em Sergipe. No entanto, a meio do caminho, a ordem de seu chefe é desfeita e o destemido sargento, contra tudo e todos. "Se for assim mesmo como se diz que é, espero as outras ordens, porque essa está dada e nem o chefe que viesse aqui e me pedisse para não levar eu não deixava de não levar, porque possa ser que ele esteja somente querendo me livrar de encrenca e eu não tenho medo de encrenca".

Seguindo Gil Vicente Tavares, diretor e dramaturgo responsável pela adaptação do espetáculo, a opção pelo monólogo veio logo na primeira leitura. "Interessava imaginar esse homem, sozinho, contra a história, contra a plateia, defendendo sua ideia, sua honra, sua missão. Tentei captar os vários Getúlios no Sargento, outros Carlos no Betão, outras imagens do nordeste: com o auxílio luxuoso de uma equipe afinada e consistente".  

Sargento Getúlio é um monólogo com cinquenta minutos de duração. O espetáculo foi o grande vencedor do Prêmio Braskem de Teatro 2011 nas categorias: Melhor Espetáculo e Melhor ator (Carlos Betão). Um texto que procura nos aproximar das raízes culturais brasileiras.
O livro de João Ubaldo Ribeiro procura explorar o "absurdo" brasileiro, com seus personagens inusitados, fantásticos, de uma loucura inimaginável, tal é a riqueza de mitos, lendas e misticismo que, juntamente com a louca miscigenação cultural e desnivelamento social e cultural que percorre a longa extensão territorial dessa terra tão díspare que é o Brasil, pode-se dizer que fez-se formar um novo povo: o Povo Brasileiro.

Sargento Getúlio no Teatro Atheneu
06 e 07 de julho, às 21h e 20h, respectivamente

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