O voto de cabresto ainda povoa o imaginário dos reacionários de plantão. Não há como chegar a outra conclusão, ante os relatos de assédio eleitoral em ambiente de trabalho, no rastro da campanha para a presidência da República, ainda em curso. Felizmente, o Tribunal Superior Eleitoral está atento para a sombra projetada sobre o direito ao voto individual e secreto, promete agir com o devido rigor.
O voto de cabresto é incompatível com a tecnologia das urnas eletrônicas e os princípios democráticos. Ainda assim, empresários inescrupulosos, inconformados com os postulados do regime vigente – no qual todos os votos têm o mesmo valor, independente da classe social de quem o deposita, resguardado pelo sigilo -, têm assediado seus empregados a fim de os ameaçar com o olho da rua, caso o presidente Bolsonaro não obtenha êxito em seu projeto de reeleição.
A prática é intolerável. O ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, foi direto ao ponto, ao lembrar que o assédio eleitoral rescende a um passado lamentável, de atraso e arbítrio. “Não é possível que, em pleno século 21, se pretenda coagir o empregado em relação ao seu voto”, lamentou o presidente da corte eleitoral, em sessão plenária do TSE.
O comportamento dos empresários afeitos a impor um cabresto sobre o livre arbítrio dos seus funcionários rima com a ladainha do presidente Jair Bolsonaro, entoada a fim de desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral. De nada adiantará, contudo. Colocada à prova, a democracia brasileira tem dado mostras de sua força. Apesar de todos os reveses e pesares.


