O presidente Jair Bolsonaro nunca fez segre do da estratégia eleita para impulsionar a economia. Trata-se, literalmente, de suplantar os direitos da classe trabalhadora, no mesmo passo da reforma criminosa de Michel Temer. Para o patrão, todas as facilidades do mundo. Para os pobres, nem R$ 1 além do estritamente necessário.
Senão, vejamos. O salário mínimo para o próximo ano ficará em R$ 1.031, anunciou esta semana o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. O valor representa redução de R$ 8 em relação ao projeto de lei do Orçamento Geral da União do próximo ano, que previa mínimo de R$ 1.039.
Há justificativas técnicas para a redução do reajuste. A diferença foi causada pela mudança na previsão de inflação de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), usado pelo governo para calcular o reajuste do mínimo. Estas não demonstram, entretanto, um pingo de sensibilidade social.
Segundo Jair Bolsonaro, o País enfrenta um dilema: ou preserva direitos trabalhistas, ou gera empregos e renda. A dicotomia, no entanto, não poderia ser mais falsa. Especialistas não cansam de alertar para a ausência de consequências práticas das reformas em curso. Não por acaso, levantamento do IBGE demonstra que 3,3 milhões de trabalhadores ociosos de um total de 12,6 milhões desempregados aguardam uma oportunidade há pelo menos dois longos anos. Isso, para não mencionar quase cinco milhões de trabalhadores vencidos pelo desalento.
Em contexto tão dramático, a valorização do salário mínimo seria de grande ajuda para as famílias obrigadas a lidar com o desemprego de um de seus membros.


