Enfermeiros, auxiliares, condutores, telefonistas e radio-operadores que integram as equipes das unidades de suporte básico e avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) iniciam a parte de hoje uma greve até que o governo negocie as pautas reivindicadas pela categoria.
A partir das 9 horas, os profissionais estarão concentrados no prédio do Samu Estadual, ao lado do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A greve foi decidida na última segunda-feira, após reunião com entidades de classe realizada na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa).
Os profissionais buscam o reajuste salarial 2012-2014; melhores condições de trabalho, incluindo instalações físicas; Acordo Coletivo e discussão sobre a situação dos servidores que operam as unidades móveis em Aracaju. O presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado de Sergipe, Adilson Ferreira Melo, lembra que o Samu vem há muito tempo enfrentando dificuldades operacionais e que os trabalhadores chegaram ao limite.
"Diferentemente de greves anteriores, esta terá a participação de todos os servidores do Samu e não somente dos condutores", informa Adilson. Ele destacou ainda que o nível de insatisfação entre os servidores piorou com o veto presidencial ao projeto de lei que prevê o reconhecimento da profissão de condutor de ambulância.
Sobre as pautas de reivindicações, Adilson lembra que a categoria ainda espera há dois anos por uma resposta do governo sobre o reajuste salarial, condições de trabalho com melhorias de instalações das bases e a situação dos servidores das unidades de Aracaju que foram transferidos para a Fundação Estadual de Saúde (FHS) a partir da fusão do Samu.
De acordo com a categoria, desde a mudança os profissionais não estão recebendo equipamentos de proteção individual e nem uniformes como foi acertado em acordo coletivo com a FHS. Outra queixa dos profissionais é a situação das ambulâncias. De acordo com informações do sindicato, há dias em que das 17 Unidades de Tratamento Intensivo Móvel (UTIM), somente uma funciona. Além disso, eles também denunciam que são recorrentes situações em que só funcionam quatro unidades de suporte básico, quando o ideal é o dobro.
Ainda sobre as condições de trabalho, os profissionais apontam problemas de refrigeração nas unidades do Samu, que segundo eles, chega a atingir um calor acima de 45 graus, o que prejudica o atendimento e tem impacto direto na conservação de medicamentos. Na avaliação dos servidores, em decorrência desses problemas, o serviço está quase extinto.
A greve que se inicia hoje já tinha sido alertada pelos profissionais no mês passado, quando a categoria chamava a atenção do governo para que houvesse negociação do reajuste salarial linear e condições de trabalho. Na ocasião, a suspensão de 24 horas das atividades também tinha sido motivada em protesto ao veto da presidente Dilma Rousseff ao Projeto de Lei 7191/10 que prevê o reconhecimento da profissão de condutor de ambulância.
De acordo com informações do presidente do sindicato, durante a greve o funcionamento das ambulâncias ficará da seguinte forma: 60% das unidades de suporte avançado, 40% das unidades de suporte básico e 30% dos radio-operadores.


