* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
O texto que trago hoje para a reflexão dos caros leitores, com pequeníssimas adaptações, foi originalmente publicado por meu pai, o ‘Memorialista Raymundo Mello’, na edição de 02/02/2016 do ‘Jornal do Dia’, sob o título "De ontem para hoje – sobre Imprensa e Carnaval". Simples, porém, muito pertinente. Bom demais!
Assim escreveu Raymundo Mello:
"Como é bom saber que os assuntos, as figuras e suas ações, em períodos que nos antecederam interessam aos de hoje, quando relatados com fidelidade. Costumo dizer que só existe o hoje porque existiu o ontem, com seus acertos e erros, levando-nos ao amanhã, com a possibilidade de analisarmos o que foi positivo e negativo no passado, calmamente, nas verdades registradas em todos os níveis. Viva, hoje e sempre, a ‘Imprensa Livre’, cada um assumindo responsabilidade pelo que escreve.
O memorialista e acadêmico ‘Murillo Melins’, em seu penúltimo livro – "Aracaju pitoresco e lendário" -, páginas 88/89, publica contrato firmado entre o Presidente da ‘Província de Sergipe’, ‘Dr. Manoel Ribeiro da Silva Lisbôa’, e o senhor ‘Cônego Antônio Fernandes da Silveira’, proprietário de uma tipografia nesta capital, detalhando compromissos entre o Estado e o órgão de divulgação – Recopilador Sergipano -, em sete artigos, explicando claramente o que cabe ao Estado e ao jornal, inclusive na parte relativa a fornecimento de materiais e pagamentos contratuais, tudo às claras, e, em seu artigo 1.º está registrado: "O dito proprietário estabelecerá nesta Capital a sua tipografia, debaixo de sua direção, sobre a qual ‘nenhuma ingerência’ terá o Governo".
Em 1835 as coisas eram claras, publicadas, cada um com sua tarefa.
Servia de lema do ‘Recopilador Sergipano’ a frase de George Washington – "Sede justos se quereis ser livres, sede unidos se quereis ser fortes".
Homenagens à lisura do Dr. Manoel Ribeiro da Silva Lisbôa e ao Cônego, depois Monsenhor, Antônio Fernandes da Silveira, o ‘Monsenhor Silveira’, que dá nome àquela rua que passa ao lado leste do ‘Colégio Atheneu Sergipense’ – rua curta, apenas três trechos, mas muito importante.
* * *
Na próxima terça feira, 25 de fevereiro, "Terça-feira gorda de Carnaval", o nosso artigo, como o ‘Jornal do Dia’, não estará em circulação. Pra não dizer que não falei de flores, digo, de Carnaval, um breve registro. Não me atrevo a escrever sobre o Carnaval, pois considero tratar-se de assunto de grande importância cultural, popular e artística. É, a meu ver, tarefa para Antropólogos, tanto a nível estadual como nacional.
Assim, como já disse, um breve registro: nos idos de 1940 os artistas locais – poetas, músicos, intérpretes – resolveram promover concurso para escolha de sambas, marchas e frevos sergipanos para serem incluídos no leque de música popular carnavalesca, nacionalmente promovido pelas emissoras de rádio do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador. E muito se fez. Verdadeiras joias foram produzidas, tocadas e cantadas, principalmente nos bailes do Cotinguiba, Sergipe, Legionários, Paulistano, Associação Atlética e até mesmo no salão de danças em que se transformava o auditório da ‘Rádio Aperipê’, ali no ‘Palácio Serigy’, centro da cidade.
Não tenho dados completos sobre essas músicas, mas uma boa pesquisa, inclusive no acervo do ‘Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe’, poderá mostrar o conteúdo destas obras. Lá tem tudo que os pesquisadores precisam encontrar.
Da mente, resgatada com grande esforço, transcrevo a letra da marcha de ‘Sales de Campos’ e ‘João Feijó’ (violonista), tema que até hoje seria oportuno, pela singeleza de seu conteúdo que, à sua época, foi ouvida com cautelas. A marcha foi defendida e divulgada pelos cantores ‘João Mello’ e ‘Raimundo Santos’.
Dizia a marchinha:
"Morena, tão chique,
com tanta roupa
você dá chilique.
Eu te dou, eu te dou,
minha gravata pra fazer
o seu maiô.
Nestes dias de verão
só se andando "à la vonté"
na praia sem roupão
nós dois, eu e você.
Tanto prazer…
tanto prazer…
Um carnaval de amor
vamos celebrar sorrindo
na embriaguez da vida,
alegres a cantar, querida".
O calor de Aracaju já inspirava canções carnavalescas nos anos 40.
Bom Carnaval pra todos! E que seja um Carnaval de alegria e paz!".
* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br


