O Tribunal de Contas de Sergipe determinou o afasta mento do conselheiro Clóvis Barbosa, à revelia da Lei. Foi apenas uma questão de tempo a decisão ser reformada pelas instâncias superiores, a fim de chamar o feito à ordem.
De acordo com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o julgamento proferido pelo TCE não tem amparo legal. A inovação dos conselheiros sergipanos, para quem seria possível se livrar da presença por eles indesejada de Clóvis Barbosa sem, contudo, apontar-lhe qualquer falta, não para de pé. Resultado: o TCE ficará com a esdrúxula composição de oito conselheiros, ao menos até segunda ordem.
Convém lembrar: a criativa decisão do TCE teve como único beneficiado o conselheiro Flávio Conceição, íntimo do empresário Zuleido Veras, embolado com a Justiça pelos malfeitos apontados na Operação Navalha. Embora tenha sido inocentado por uma questão técnica, após uma condenação tida como certa e inevitável, Flávio Conceição não tem estatura moral para ostentar a toga de qualquer juízo, muito menos a de uma corte de Contas.
Para o bem ou para o mal, o TCE decidiu dar fim à aposentadoria compulsória de Flávio Conceição e o readmitir como membro, como se não pesasse sobre os seus ombros um passado manchado por acusações as mais cabeludas. Não pode reclamar, portanto da má fama de uma corte singular, desde a composição até a ficha corrida da maioria de seus membros, apelidada uma casa de faz de conta.

