Enquanto o presidente Jair Bolsonaro se en- galfinha com o Congresso Nacional, convo cando inusitadas manifestações, desafiando o poder legislativo e o judiciário, a crise prospera. De acordo com a projeção de consultores independentes, o tempo fechou, uma recessão já se pronuncia no horizonte verde e amarelo.
Depois de tergiversar e até negar a pandemia do coronavírus, atribuindo a preocupação das autoridades sanitárias a uma suposta histeria da imprensa mundial, Bolsonaro enviou um decreto de calamidade pública para a apreciação da Câmara dos Deputados. Não significa, contudo, que a ficha do presidente caiu. Ele pressente o próprio isolamento e, assim, reage.
A curto prazo, ninguém acredita mais na recuperação econômica do Brasil. Ontem, por exemplo, o banco Credit Suisse cortou a estimativa de crescimento do país de 1,4% para zero em 2020 e passou a considerar em seu cenário-base uma recessão técnica na primeira metade deste ano, com queda de 0,1% no PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre. A recessão técnica ocorre quando há dois trimestres seguidos de queda do PIB.
A crise é tão séria, a ponto de o ministro Paulo Guedes ser obrigado a abandonar os dogmas do liberalismo primitivo ao qual sempre esteve alinhado. Com o decreto da calamidade oficializado, o teto de gastos vira letra morta. Pela primeira vez, desde a posse de Bolsonaro, a vida das pessoas é priorizada, em prejuízo do equilíbrio fiscal.


