Todos os santos de junho

Terça do Arrocha reuniu 55 mil pessoas na orla de Atalaia.
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Os grandes eventos do calendário festivo local, realizados há décadas, jamais se propuseram a servir de palco para a Cultura Serigy. Somente os tolos, como eu, alimentaram um dia expectativa diferente.
Todos os anos, a choradeira de artistas desprezados pelo poder público e intelectuais com a cachola abarrotada de palavras difíceis inunda as páginas dos jornais. O amigo Thiago Paulino chegou a escrever um livro robusto sobre o assunto. A programação do Forró Caju, no entanto, é sempre a mesma.
Há concessões, claro. No palco dos principais eventos do ciclo junino, o sanfoneiro Mestrinho é presença garantida. Há, também, palcos menores, francamente modestos, como o coreto instalado em plena Vila do Forró. Ali, artistas da estirpe de Pantera e Sandyalê defendem o próprio trabalho com a cara e a coragem, mesmo sem os holofotes voltados para as atrações contratadas ao custo de milhões.
Os promotores dos eventos aqui em questão contam com o álibi do grande apelo popular da programação. Anos atrás, a presença de um cantor de arrocha hoje relegado a justo e previsível esquecimento atraiu o maior público já registrado no Forró Caju. Esta semana, a turma do arrocha voltou à carga e reuniu uma multidão formada por 55 mil pessoas no Arraiá do Povo, em plena terça-feira. Em um caso e outro, o argumento maiúsculo da adesão popular encerra qualquer discussão. Ao contrário dos críticos apressados, como este que vos escreve, leitor compassivo, os donos do mundo garantem, o povo gosta.
Eu já entreguei os pontos. A fogueira ardendo na porta de minha casa, no meio do mato, mais a sanfona rouca de Dominguinhos, celebram com sincero recato todos os santos de junho, o meu São João.
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