Traficante foragido da Bahia vivia em Socorro

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil sergipana confirmou ontem que o traficante Antônio Marcos Marcelino Nogueira, 26 anos, o "Rambo", comandava o comércio de drogas em pelo menos três bairros da periferia de Salvador (BA), mesmo escondido há seis meses na região do bairro Piabeta, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), a pouco mais de 450 quilômetros de distância. Conhecido como "o matador do Gueto" e considerado um dos mais perigosos foragidos da polícia baiana, "Rambo" foi preso neste sábado por agentes do Departamento de Narcóticos (Denarc) e está detido no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), onde aguarda sua transferência para Salvador.

A operação do Denarc teve a participação de investigadores da Polícia Civil da Bahia, que já o procurava desde 2012. Segundo o delegado Osvaldo Resende Neto, do Denarc, a presença de ‘Rambo’ em Aracaju foi indicada à polícia sergipana na semana passada através de uma informação anônima passada pelo Disque-Denúncia (181). "Foi confirmado com a polícia baiana que se tratava de um sujeito foragido, muito perigoso, que comandava algumas áreas do tráfico de drogas em Salvador. Conseguimos localizá-lo no sábado de manhã e já montamos a operação, que foi tranquila", afirmou. Marcos estava dormindo em uma casa alugada na rua A3, na Piabeta, e não reagiu à prisão.

Ele morava no local há pouco tempo, em companhia da esposa e dos filhos. Antes, eles haviam alugado outras casas e, constantemente, mudavam de endereço, chegando a morar no interior do estado e alguns bairros de Aracaju. A última residência que serviu de abrigo para o traficante fica no bairro Lamarão (zona norte). Ontem, ao ser apresentado à imprensa, ‘Rambo’ alegou que já tinha abandonado o tráfico de drogas e que trabalhava vendendo água mineral na Piabeta. A polícia, por sua vez, afirma não ser esta a ocupação que o acusado desempenhava em Sergipe. Na casa onde ele estava, foi apreendido um caderno com várias anotações feitas à mão, com nomes de clientes e valores que estes lhes deviam pagar.

O achado reforçou as suspeitas de que, mesmo residindo em Aracaju, Rambo vinha mantendo contatos com familiares e traficantes aliados, através dos quais controlava o tráfico de drogas nos bairros de Pero Vaz, San Martin e Liberdade, redutos algumas das comunidades mais carentes de Salvador. Uma delas é a do ‘Gueto’, em Pero Vaz, onde Marcos fez sua fama de matador e usava de crueldade para matar bandidos rivais, clientes devedores, pessoas inocentes e delatores. Segundo a polícia baiana, existem pelo menos seis mandados de prisão em aberto contra o acusado, sendo um por porte ilegal de arma, dois por tráfico de drogas e três homicídios ocorridos em 2012 na região controlada por sua quadrilha.

No entanto, ‘Rambo’ é apontado como mandante e principal executor de uma chacina ocorrida em 10 de janeiro deste ano na Avenida Peixe, entre os bairros Liberdade e Pero Vaz. De acordo com jornais de Salvador, o traficante e outros nove comparsas mataram cinco jovens, retirando-os de suas casas e os executando a tiros, no meio da rua, em plena madrugada. Antes de morrer, os marginais obrigaram uma mulher de 22 anos, ligada a uma quadrilha rival, a se abraçar ao irmão de 13 anos. Depois, eles esmagaram a cabeça da garota com uma pedra e dispararam vários tiros. A polícia baiana investigou a chacina e fechou o cerco contra a quadrilha, o que teria motivado a fuga de ‘Rambo’ para Sergipe.
"A caçada não era por acaso. Desde adolescente, ‘Rambo’ cometia diversas atrocidades, participando inclusive da quadrilha de três perigosos traficantes da capital baiana. Esta não é a primeira vez que o traficante foi preso", destacou Osvaldo, que não confirma se o baiano tentou atuar no tráfico em Aracaju. "Isso está sendo apurado. Pelas informações que constam até agora, a atuação dele era na Bahia. Como ele já estava aqui em Sergipe há mais tempo, a gente não exclui esta possibilidade", suspeita o delegado. Marcos deve ser transferido para Salvador assim que sair uma autorização da Justiça.

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