Um grande negócio

“Sem alternativa viável, os trabalhadores atuam como autônomos”

O Brasil é uma nação de sub empregados, trabalhadores sem direitos trabalhistas, uma multidão sem oportunidade no mercado de trabalho, que conta somente com a força dos próprios braços para sobreviver.
Aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros trabalham com transporte de passageiros e entrega de mercadorias, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A maioria (61,2%) é de motoristas de aplicativo ou taxistas, 20,9% fazem entrega de mercadorias em motocicletas e 14,4% são mototaxistas.
Esses trabalhadores estão inseridos na chamada gig economy, termo que caracteriza relações laborais entre funcionários e empresas que contratam mão de obra para realizar serviços esporádicos e sem vínculo empregatício, principalmente por meio de aplicativos. A suposta grandeza insinuada pelo apelido modernoso, no entanto, rima com precarização.
No fim das contas, a uberização do trabalho – termo que faz alusão a uma das grandes empresas do setor de transporte por aplicativos – é um grande negócio. Trata-se de explorar a servidão voluntária gerada por uma economia raquítica. Sem alternativa viável, os trabalhadores atuam como autônomos, enquanto o lucro gerado pelo seu esforço é abocanhado por multinacionais milionárias que lhes negam qualquer espécie de vínculo profissional.

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