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UM “NUDGE” PARA OS RESÍDUOS SÓLIDOS


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Publicado em 26 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Carlos Vilanova

Cada vez mais usual em narrativas e publicações, palavras da língua inglesa como workshop, networking, feedback, coach. Não muito diferente, o termo nudge tem sido utilizado e a sua tradução ao português leva à conotação de cutucar, provocar e incentivar positivamente a si próprio e ao(s) outro(s).
Mas, o que o termo “nudge” tem a ver com os resíduos sólidos ou mesmo com o lixo? A questão relacional partiu de um vídeo publicado no whatsapp, que me chamou à atenção, no qual um gari expõe sua perna com um corte profundo por vidro quebrado e pede a consciência de suposto morador, que teria colocado o vidro no lixo, sem o devido cuidado.
Não sei sobre a identidade do gari ou mesmo sobre a origem do vídeo. No entanto, parando para refletir, a questão do lixo é inquietante, face ao gigantesco consumo, ladeado pelas más práticas nos acondicionamentos e descartes dos restos em sua imensidão.
O assunto desperta ainda mais atenção em razão da projeção dada nas últimas décadas ao tema ambiental no mundo, mediante os diversos meios de comunicação. Desse modo, comum lermos que alumínios, plásticos e vidros poluem a natureza e demoram centenas de anos e em certos casos, até um milhar de anos para a decomposição na natureza.
Portanto, diante do contexto de degradação ambiental, o reaproveitamento de materiais recicláveis é bastante enfocado na lei 12.305/2010, que trata da política nacional dos resíduos sólidos.
Na lei supra, “rejeitos” são os resíduos sólidos,que não têm possibilidade de reutilização; restando para estes, apenas a disposição ambientalmente correta final.Por conseguinte, o termo ” rejeito” é o que mais se aproxima do popular “lixo”, cuja palavra em si não é citada na lei.
Diante da questão, vale a pena ressaltar quão importante é o tratamento dado aos resíduos sólidos para a preservação do meio ambiente, perpassando pelo acondicionamento do lixo e separação dos materiais reutilizáveis e recicláveis.
Estão envolvidos, também, os fatores humanos. Assim, cabível essa reflexão sobre os resíduos sólidos e rejeitos (pejorativamente chamados de lixo)como meios de humanismo e de contribuição nos âmbitos social e econômico. Embalagens sofisticadas e os diversos materiais descartados são geradores de precárias rendas, que mitigam as subvidas de muitos, devido ao potencial valor econômico.
No grupo de whatsapp, sobre o caso do gari citado vi alguns comentários indignados; mas, também observei um depoimento de uma amiga ao expor que coloca as latas, plásticos e papelão em diferentes sacos. Ainda, mencionou que: – tenho muito cuidado com vidro quebrado; coloco numa caixa de papel ou dentro de uma vasilha de sorvete quando tem.
Numa visão geral, uma singela conduta exemplar dessa colega, que denota cuidados com os semelhantes menos favorecidos. Na verdade, um ato comum de quem se harmoniza consigo mesmo para proporcionar o seu melhor humanístico, mesmo sem visibilidade.
O exemplo é um nudge (um cutucar) para nós! Dos resíduos sólidos para a amplitude que é o tema ambiental existe também um aspecto relacional desse caso do gari com um corte profundo na perna com as degradações ao meio ambiente.
O que relaciono é que tratar bem a natureza (nosso habitat, nossa casa) tem dimensão Divina. A mãe-natureza é por vezes confundida com o próprio Criador ou mesmo considerada como uma prova viva da existência de Deus.
Então, faz sentido dizer que cultuar e tratar bem o meio ambiente funciona na mesma trilha pregada pelas religiões. Fundadas no temor a Deus, baseiam-se na linha de que as más e escondidas ações não escapam da visibilidade do Criador todo poderoso; ou melhor, que as bondades e virtudes serão recompensadas na posteridade e ao invés, que haverá punições para os autores de maldades.
Finalizando, externo a minha reflexão na busca dos porquês e com uma visão motivacional para o avante. Só que como humanos, a vida é um constante administrar, diante das dificuldades cotidianas e incertezas. No entanto, as boas ações funcionam mesmo como um elixir para a benéfica paz interior.

* Carlos Vilanova, advogado em Estância, bancário aposentado

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