José Firmo
Confesso que estou assustado com a quantidade de candidatos aos mais diversos cargos eletivos em 2022 apresentando como proposta de campanha a criação de uma universidade estadual em Sergipe.
E tenho vários motivos para me assustar, entre eles o fato de que a nossa Universidade Federal de Sergipe, única (é verdade) universidade pública, vem ofertando uma quantidade de cursos e de vagas, frise-se, capazes de absorver uma grande parcela da juventude do nosso estado.
Se a ideia de criação de uma universidade estadual fosse há uma ou duas décadas, quando as quantidades de campi, de cursos e de vagas na nossa UFS ainda eram muito pequenas, poderíamos até entender. Mas, estas promessas em pleno 2022, na minha visão, estão fora de sintonia com a realidade.
O meu susto com as propostas de criação de uma universidade estadual se dá também porque, além da quantidade de candidatos que fazem tais propostas, alguns deles são de posição e de origem nos movimentos sociais e até servidores da própria UFS, que deveriam ter uma visão mais realista sobre o assunto.
Só para ilustrar, são 106 cursos de graduação presenciais, 12 cursos de graduação a distância, espalhados pelos seguintes centros: Centro de Ciências Agrárias Aplicadas (CCAA), com 06 departamentos; Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), com 12 departamentos; Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH), com 13 departamentos e um núcleo; Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET), com 14 departamentos e 01 núcleo; Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), com 09 e 01 núcleo; Campus de Laranjeiras (CAMPUSLAR), com três departamentos; Campus do Sertão (Campusser), com 05 departamentos; Campus de Itabaiana (Campusita), com 10 departamentos; Campus de Lagarto (Campuslag), com 09 departamentos. São mais de 30 mil vagas.
Soma-se a isso o fato de que o Governo do Estado de Sergipe precisa se dedicar a melhorar a os indicadores e a qualidade do Ensino Médio. Os postulantes aos cargos do Legislativo ou do Executivo poderiam ajudar mais a juventude sergipana tentando melhorar o nível do Ensino Médio, sua incumbência prioritária, como prevê o artigo 10, VI, da LDB.
Além disso, a UFS, assim como todas as demais instituições de ensino público federal, precisa que haja uma somação de esforços, para a sua manutenção e para o seu crescimento. Assim não será necessária a criação de uma universidade estadual, algo compreensível em outras unidades da federação.
José Firmo, funcionário de carreira da UFS, é presidente da Associação, Desportiva, Cultural e Ambiental do Robalo (ADCAR).


