Venenos em excesso

O grande número de substâncias tóxicas e nocivas à saúde torna o controle praticamente impossível

Sergipe contabilizou 368 internações por envenenamento entre os anos de 2015 e 2024, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede). Menos de uma dezena destes casos, entretanto, tratam de eventos intencionais causados por terceiros.
Os dados têm como base registros do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a intoxicações acidentais ou intencionais por exposição a substâncias nocivas, que exigiram atendimento emergencial e hospitalização.
A série histórica indica queda nas ocorrências entre 2015 e 2021, mas mostra um crescimento expressivo nos anos de 2023 (42 casos) e 2024 (47), que correspondem ao maior volume registrado desde 2017 no estado. Não é pouco, considerado o valor irrecuperável de uma vida. Mas, Brasil afora a situação é muito pior.
No país inteiro, o levantamento aponta 45.511 internações por envenenamento ao longo dos últimos dez anos. Isso representa uma média de 4.551 casos anuais, cerca de 379 por mês – ou uma pessoa atendida a cada duas horas nos prontos-socorros do país por ingestão de substâncias tóxicas ou nocivas.
O grande número de substâncias tóxicas e nocivas à saúde torna o controle praticamente impossível. Acidentes ocorrem, há venenos disponíveis a mancheia. Mas a negligência individual não precisa colaborar com a fatalidade.
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