Rômulo Rodrigues
Essas foram palavras do primeiro ministro da Alemanha, Olaf Scholz, ao cumprimentar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na sua visita oficial ao País, semana passada.
O alemão pediu a Lula, munição para ser enviada para a Ucrânia na guerra contra a Rússia; Lula negou como havia negado a Bush entrar na guerra conta o Iraque e de cara sacou uma carta da manga e colocou na mesa com uma proposta de impacto.
O Brasil está disposto a compor uma frente com outros Países para negociar o fim da guerra e disse mais: estamos enfrentando uma realidade desumana que é o genocídio conta o povo Yanomami e esta é nossa prioridade, mas, estaremos na linha de frente de qualquer luta pela paz no mundo. Falou como Estadista que é!
Lula mostrou ao alemão e ao mundo qual a verdadeira diferença entre o não e o “Talkey”, com ampla vantagem civilizatória para a negativa.
Um governo para ter autoridade, no seu território e perante o mundo, precisa se impor pelo respeito ao seu povo, à suas riquezas naturais e deixar bem claro que as leis são iguais para todos.
O Brasil saiu de um período de 6 anos de subserviência a um golpe político, judiciário, militar e midiático para estar de volta ao respeito à soberania popular e o retrato em branco e preto do passado recente ficou exposto quando as reações dos garimpeiros nas reservas indígenas foram de não se assustarem, acostumados que estavam com a proteção do governo genocida e a permissividade de parte das forças armadas.
Que não se levantem os hipócritas bradando em defesa do exército de Caxias, quando não foram capazes de honrarem o nome do marechal Cândido Rondon. Hipocrisia tem limite.
O ídolo dos hipócritas ou, mito dos imbecis, vem demonstrando que além de corrupto, fascista e genocida é um covarde que fugiu do País para não prestar contas dos seus atos criminosos e deixou para trás uma legião de semelhantes civis e fardados que também estão se acovardando de assumirem suas responsabilidades, e se protegem através da muralha de descerebrados que se julgam mais patriotas que a massa de gente honesta que trabalha incansavelmente para sustentar uma Nação.
A tragédia que assusta o Brasil e o mundo é a constatação de que o objetivo era de extinção de um dos povos originários do Brasil pela inanição, algo muito mais desumano do que lançar bombas atômicas sobre a região.
As bombas jogadas pelos americanos sobre as duas cidades japonesas mataram milhões rapidamente, ou seja, as pessoas não sentiram a morte chegar.
Esta lá de Roraima, estava sendo lenta e gradual, com os assassinos, como nas torturas, tendo o prazer de ver humanos indefesos morrerem, como nos paus de arara, sem nenhuma condição de reação.
É extremamente significante que a simbólica frase do visitante alemão seja captada como um sentimento do chefe de Estado de um País que praticou o holocausto, diante de um Estadista que enfrenta o ímpeto dos remanescentes militares daquela tragédia humana.
O “vocês fizeram falta” é o mais puro reconhecimento ao erro de todo o dito mundo civilizado que ficou de braços cruzados ante o ataque sofrido pela democracia brasileira, praticado pelos que ainda teimam em defender e tentar fazer ressurgir o que nasceu em terras italianas e se consagrou em terras germânicas como supremacia de uma raça.
O primeiro ministro Olaf Schulz deve ter sentido o mesmo que sentiu o presidente americano George Bush. Ôpa, estou diante de um gigante e não dá para tratá-lo de outra forma senão com o reconhecimento histórico que o equilíbrio do mundo passa por aqui.
Os fatos, todos eles, acontecidos no Brasil, em 30 dias, são suficientes para todos saberem que, mesmo 21 anos de uma sangrenta ditadura militar, tirada de cena com 31 anos de democracia, jamais farão o País sucumbir a um golpe civil/militar de 2 anos e uma farsa judicial que levou ao poder um resquício daquela ditadura entregue nas mãos de uma figura política de difícil qualificação.
A lição que se deve tirar da afirmativa do representante maior da Alemanha de que a democracia do Brasil se mostrou fortalecida ao vencer a tentativa de golpe militar em 8 de janeiro, é a de que enquanto este País tiver, só no exército, 16 generais 4 estrelas e deixar funcionar o conspirador clube militar, a democracia estará sempre ameaçada.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.

