Apresentarei neste ensaio informações disponibilizadas pela entidade internacional conhecida como UNCTAD, sobre a 16ª sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD 16) que ocorreu de 20 a 23 de outubro de 2025 no Palais des Nations, em Genebra, com o tema “Moldando o futuro: impulsionando a transformação econômica para um desenvolvimento equitativo, inclusivo e sustentável”.
Organizada pela Suíça e pela UNCTAD, a conferência reuniu ministros do comércio e da economia, líderes de organizações internacionais, representantes da sociedade civil, do setor privado, jovens e especialistas renomados para se envolverem em um diálogo de alto nível sobre tendências globais e perspectivas políticas sobre comércio, finanças e dívida, investimento, desenvolvimento e economia digital.
A conferência de quatro dias em Genebra na Suíça reuniu delegações de 170 países, um recorde histórico nos 60 anos de história da UNCTAD e adotou o Consenso de Genebra e uma declaração política, reafirmando o papel central da organização no avanço da cooperação multilateral.
A presença de 80 ministros e vice-ministros do Comércio e da Economia, vozes de destaque do setor privado e forte participação de países em desenvolvimento, países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares em desenvolvimento, além de grandes economias e atores comerciais importantes ressaltaram a relevância fundamental da UNCTAD. O que se verificou foi a presença de líderes comprometidos em reformar sistemas globais para um desenvolvimento mais justo, previsível e inclusivo.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, elogiou o trabalho vital da UNCTAD ajudando os países em desenvolvimento a aproveitar o comércio e o desenvolvimento para impulsionar suas economias.
Além disso, novas parcerias e promessas de financiamento foram anunciadas para promover ações de alívio da dívida, economia digital, investimento e resiliência da cadeia de suprimentos, provando que o multilateralismo permanece vivo, relevante e capaz de gerar resultados.
A conferência ocorreu em um cenário global complexo, já que o documento acordado destaca um contexto de crescimento econômico contido e desigualdades persistentes dentro e entre os países.
As economias, especialmente as mais vulneráveis, enfrentam desafios crescentes, incluindo crescentes desafios comerciais, espaço fiscal limitado, baixos níveis de investimento, endividamento insustentável, exclusão digital e capacidades produtivas frágeis. No entanto, os 195 Estados-membros da UNCTAD demonstraram unidade e propósito renovados.
Em mais de 40 sessões de alto nível e 24 painéis de especialistas, os participantes examinaram caminhos práticos para fortalecer o comércio, as finanças, as capacidades produtivas, as commodities, o Sistema Global de Preferências Comerciais, as finanças e a dívida, a inteligência artificial, a economia digital, o investimento, as cadeias de suprimentos e o regionalismo.
A UNCTAD 16 apresentou um acordo entre todos os 195 estados-membros chamado “Consenso de Genebra para uma Ordem Econômica Justa e Sustentável”.
Esta declaração reafirma a crença fundamental de que o desenvolvimento não deve deixar ninguém para trás e se compromete a construir uma economia global mais inclusiva e sublinha os seguintes pontos:
No comércio, os países reafirmaram a centralidade de um sistema comercial multilateral baseado em regras, aberto, transparente e equitativo, e reconheceram que o comércio de serviços de qualidade é a nova fronteira para o desenvolvimento.
Em relação ao investimento, a conferência abordou o declínio e a distribuição desigual dos fluxos globais de investimento, medidas de facilitação de investimentos, estruturas políticas que reduzem o custo do capital e apoio a ecossistemas nacionais e internacionais que podem multiplicar o investimento estrangeiro. Na economia digital, os avanços tecnológicos estão criando oportunidades e divisões, e os países pediram à UNCTAD que apoiasse os países em desenvolvimento com habilidades, infraestrutura e estruturas para aproveitar a economia digital.
Sobre dívida e financiamento para o desenvolvimento, após a 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FFD4), os estados-membros concordaram com o estabelecimento de um Fórum de Mutuários – um novo espaço para os países em desenvolvimento construírem capacidade coletiva, compartilharem experiências e fortalecerem sua voz nas discussões globais sobre dívida.
Em relação ao apoio aos países menos desenvolvidos, os Estados-membros comprometeram-se a reforçar o seu apoio, através de um programa específico de apoio à graduação. Apelaram a um apoio personalizado para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento que enfrentam catástrofes climáticas e custos de transporte crescentes. E para os países em desenvolvimento sem litoral, comprometeram-se a continuar a trabalhar na facilitação do comércio e nos corredores de trânsito. Além disso, durante a UNCTAD 16, foi anunciado o lançamento do Fórum de Sevilha sobre a Dívida, uma plataforma inovadora para abrir o diálogo e apoiar os países em desenvolvimento a enfrentar os desafios da dívida soberana. Os dados da referida conferência da UNCTAD revelam cenários do futuro da economia mundial e que precisam ser conhecidos pela sociedade.

