Em Sergipe, o abate de gado para consumo vem sen do realizado quase sempre ao arrepio da Lei. Nos abatedouros municipais, a corrupção é moeda corrente, vide os diversos casos apurados pelo Ministério Público. Nos clandestinos, não há preocupação com a higiene e os protocolos ambientais. Sem outro remédio, o consumidor vai às feiras livres da cidade confiando apenas na sorte.
Esta semana, mais um matadouro clandestino foi notificado pela Adema, desta vez em um povoado de Itabaiana. Segundo a fiscalização, as peças de carne estavam armazenadas de qualquer jeito. Os proprietários não apresentaram a licença exigida para a atividade. Além disso, é muito provável que os animais sacrificados ali tenham sofrido maus tratos.
Os matadouros irregulares só funcionaram até agora por conta da cumplicidade negligente das autoridades municipais, a quem caberia fiscalizá-los. No caso aqui em questão, por exemplo, os técnicos só chegaram ao abatedouro após denúncia anônima.
Em questões de saúde pública, todo cuidado é pouco. Neste particular, poucos assuntos são tão sérios quanto a qualidade do alimento a disposição dos consumidores. A feira livre, a mercearia, açougues e até supermercados, no entanto, tendem a tratar comida como qualquer produto. Parece irresponsável, mas é mais comum do que se imagina.
A legislação que estabelece parâmetros razoáveis para o abate, o transporte e o comércio de carne é dais mais rigorosas. A estrutura indispensável ao funcionamento dessa cadeia produtiva, por outro lado, é muito dispendiosa. No meio do caminho entre a conveniência e a norma, a negligência se estabeleceu como um perigoso dado cultural dos sergipanos. A carne é fraca.


