Esses velhos princípios da ética social da Igreja adquirem hoje extraordinária atualidade, quando vemos em nosso país os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
Foi em 26 de março de 1967, que o então Papa Paulo VI – hoje São Paulo VI – publicou sua Carta Encíclica "Populorum Progressio" sobre o desenvolvimento dos povos, declarando que o desenvolvimento é o novo nome da paz e pedindo a todos os cristãos a se abrirem às necessidades dos povos do mundo inteiro. Sobre esse mesmo tema, seguiram-se depois dois pronunciamentos solenes dos Pontífices romanos: a Encíclica "Sollicitudo Rei Socialis" – "A solicitude sobre a questão social" -, de 1987, de São João Paulo II e a "Charitas in veritate" – "A caridade na verdade" -, de 2009, do Papa emérito Bento XVI.
Em 1969, Louis Even, diretor do movimento "Crédito Social", que propugna em seu programa político-social uma Democracia Econômica – como eles chamam -, publicou na revista canadense "Vers Demais" um artigo sobre como o crédito social seria excelente forma de promover o homem todo e todos os homens, como desejara Paulo VI em sua encíclica de 1967.
Só assim, nesta promoção universal e integral do homem, é que o desenvolvimento humano será autêntico – diz Even. E cita o Papa Pio XI, já em sua encíclica "Quadragesimo Anno": "O organismo econômico e social será constituído sadiamente e atingirá seus fins, somente quando oferecer a todos e a cada um de seus membros todos os bens que os recursos da natureza e da produção industrial lhes proporcionam".
Em termos ainda mais claros, se pronunciava o Papa Pio XII em sua rádio-mensagem de junho de 1941: "Todo homem, enquanto dotado de razão, recebe da natureza o direito fundamental de usar de todos os bens materiais da terra; a economia nacional não será outra coisa que assegurar sem interrupção as condições materiais, nas quais se possa desenvolver plenamente a vida individual dos cidadãos".
Esses velhos princípios da ética social da Igreja adquirem hoje extraordinária atualidade, quando vemos em nosso país os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, e quando contemplamos com pasmo e horror nossos líderes políticos saqueando o dinheiro público, que não pertence a eles mas sim à comunidade, para o bem de todos, começando pelos pobres e necessitados.
Que a Virgem Senhora Aparecida abençoe a nação brasileira, proteja os deserdados da sorte em nosso país e faça com que os nossos homens públicos finalmente se ponham ao serviço do bem comum.
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju – 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.com.br


