Nos momentos de crise mais aguda, quando a repercussão de um fato indesejável ganha grandes proporções, o mais comum é que autoridades e opinião pública se atenham apenas aos aspectos mais salientes do episódio. O desastre ecológico na costa brasileira, por exemplo, coloca em cheque toda a política ambiental do governo Bolsonaro. Tão importante quanto se ocupar das condições e implicações deste crime, no entanto, é se voltar para as populações diretamente afetadas pelo derrame criminoso de óleo.
Somente agora, após meses de incertezas e atividades econômicas prejudicadas, MPF e MPE solicitam a adoção de medidas voltadas para a proteção de pescadores e marisqueiras afetados pelo derramamento de óleo no litoral nordestino. No documento, entregue ao governador Belivaldo Chagas, os membros dos Ministérios Públicos também pedem apoio financeiro para que a UFS realize pesquisas e monitoramentos.
Verdade é que a subsistência das populações ribeirinhas vem sendo tratada como um problema menor. Até agora, pescadores e marisqueiras nordestinas não receberam qualquer espécie de ajuda financeira. O governo federal acena com a edição de uma Medida Provisória destinada a assegurar um salário mínimo para quem vive do mar. Mas, por enquanto, o auxílio não passa de promessa.
Para os procuradores dos Ministérios Públicos, o governo de Sergipe também tem responsabilidade sobre o destino dos profissionais afetados pelo crime ambiental. Em primeiro lugar, é preciso calcular a real extensão da tragédia, sob pena de negligenciar os seus efeitos no litoral sergipano. Depois, é preciso cuidar de todos os pescadores e marisqueiras diretamente, independente de registro profissional. Esta é uma questão de sensibilidade social, alheia às veleidades da burocracia.


