O lançamento da pré-candidatura do ex-deputado Márcio Macêdo para a prefeitura de Aracaju não representa nenhuma alteração abrupta no quadro eleitoral na capital. Daqui até as convenções partidárias – de 20 de julho a cinco de agosto – muitas negociações vão ocorrer e Márcio não tem sequer a garantia de que vai unificar todo o PT.
Na reunião de quinta-feira, a corrente Articulação de Esquerda, comandada pelos sindicalistas Professor Dudu e Joel Almeida, não compareceu e quer o cumprimento das normas internas do PT para a definição de candidaturas. Há também outras exigências, como o afastamento total da administração do prefeito Edvaldo Nogueira e o rompimento com o governo Belivaldo Chagas. Durante a votação da reforma da Previdência na Assembleia Legislativa, o deputado Iran Barbosa foi voto contrário. O deputado Francisco Gualberto defende a manutenção da aliança com Edvaldo Nogueira.
Nas entrevistas que concedeu na sexta-feira, Márcio Macêdo se queixou de que o PT nunca participou das decisões administrativas na gestão Edvaldo Nogueira e que tinha uma participação ínfima na gestão em relação a importância do partido. Até Eliane Aquino renunciar ao cargo de vice-prefeita para assumir a vice-governadoria, em 31 de dezembro de 2018, o PT comandava a secretaria de Assistência Social – indicação da própria vice – e a Funcaju, cujo presidente, Cássio Murilo, é indicação pessoal de Márcio, e continua no cargo até hoje.
O pré-candidato do PT também sugeriu que o governador deveria se manter neutro na disputa para a PMA, já que o seu partido é aliado de primeiro hora e que, na sua opinião, foi fundamental para vitória em 2018, em função da identificação do eleitorado com o ex-presidente Lula e a presença frequente do então candidato a presidente, Fernando Haddad. Belivaldo já avisou que apoia a candidatura à reeleição de Edvaldo.
Márcio aposta que até as convenções vai conseguir atrair alianças com partidos que hoje apoiam as gestões de Edvaldo e Belivaldo e que o objetivo do PT é resgatar as lições do ex-prefeito e ex-governador Marcelo Déda e aposta numa participação ativa do ex-presidente Lula na sua campanha. Edvaldo considera a sua administração uma sequência dos programas desenvolvidos quando ele foi vice-prefeito de Déda – esse legado vai dividir o eleitorado, porque se Márcio é do PT, Edvaldo sempre foi o preferido do ex-governador, como ficou claro nas eleições de 2004 e 2008.
Márcio não disse diretamente, mas nas entrelinhas entende que o partido detém a hegemonia do eleitorado da capital. Não é bem assim. E isso vem desde a época de Marcelo Déda, uma das maiores lideranças populares de toda a história do Estado, que sempre foi um campeão de votos. Déda surpreendeu ao ser eleito prefeito em 2000, no primeiro turno, foi reeleito de forma consagradora em 2004, governador em 2006 e, em 2008, garantiu a reeleição de Edvaldo Nogueira também no primeiro turno.
De lá pra cá os resultados eleitorais não têm sido os previstos pelo PT na capital. Em 2010, Déda foi reeleito governador, mas o candidato adversário, ex-governador João Alves Filho, foi o vitorioso em Aracaju, com uma diferença de cerca de 3 mil votos. Um resultado totalmente inesperado, principalmente porque o ex-presidente Lula, tão popular na capital quanto Déda, participou do encerramento da campanha num grande comício na praça dos mercados, na véspera da votação. Da mesma forma, em 2012, Déda viu o seu candidato perder a disputa para prefeito de Aracaju, também em primeiro turno, para o mesmo João Alves Filho.
Confirmada a candidatura própria durante a convenção o PT poderá ficar isolado, mas isso parece fazer parte do projeto para 2022, quando o senador Rogério Carvalho pretende disputar o governo – Eliane Aquino tem o mesmo objetivo. De qualquer forma, uma segunda candidatura no bloco governista pode facilitar a vida dos partidos de oposição, hoje divididos em cinco pré-candidaturas.
Maioria automática
Em nota, a Articulação de Esquerda, ala sindical do PT, defendeu que a militância seja convocada a participar da construção de um programa democrático e popular, através das instâncias partidárias, com definição urgente dos eixos que irão nortear a candidatura petista a ser aprovada nos marcos do calendário que será aprovado pelo Diretório Nacional do PT no dia 17 de Janeiro. "Conclamamos as companheiras e companheiros das outras tendências partidárias a respeitarem a democracia petista. É livre o direito de se organizar em tendências. É livre o direito de expressar opinião em seu próprio nome e pelas tendências. Mas não aceitaremos rolo compresso, nem a instituição de maioria automática".
Frente
Ainda na nota, a AE defende que o PT construa em Sergipe uma Frente de Esquerda, articulada a elaboração de um programa democrático e popular, de reformas estruturais com base numa tática nacional de oposição à Bolsonaro e seus aliados estaduais e municipais. "Nesse sentido, o PT deve ter candidatura própria na disputa eleitoral de Aracaju. Mas não basta romper com o governo Edvaldo, é preciso também sair do governo Belivaldo", defende a AE, que cobra a convocação da reunião da Direção do PT para debater a luta pela revogação da reforma da previdência estadual e a tática de todo partido para as eleições 2020 em Sergipe.
Unanimidade
A posição unânime de todas as correntes do PT, a exceção da Articulação de esquerda que não participou da reunião na noite de quinta-feira, é pela definição de candidatura própria, que apresente à população da capital uma proposta para Aracaju que pense num projeto construído com uma base progressista e voltado para o desenvolvimento de todos. Entre os participantes do encontro estavam o senador Rogério Carvalho, a vice-governadora Eliane Aquino, as ex-deputadas Ana Lucia e Conceição Vieira, o vice-presidente nacional do PT, Márcio Macedo, o presidente do diretório municipal do PT em Aracaju, Jeferson Lima, e o ex-vice-prefeito da capital, Silvio Santos.
Importância
O presidente estadual do PT ressaltou que o partido tem a clareza luta vivida em todo país nos últimos tempos e a importância de ter candidaturas próprias na maioria dos municípios. "A capital é muito importante e gostaríamos de construir uma candidatura de esquerda e todos que quiserem se somar a esse projeto", ressaltou João Daniel.
Convite do PDT
Através das redes sociais, o presidente estadual do PDT, deputado federal Fábio Henrique, voltou a convidar o prefeito Edvaldo Nogueira para filiar-se ao partido."O PDT está de braços abertos para receber Edvaldo Nogueira e com ele caminhar para as eleições de 2020", disse Fábio no Twitter. Nesta sexta-feira, Edvaldo respondeu: "Muito obrigado, deputado! Tenho muita identidade política e de ideais com o PDT. Tenho pontos de convergência com Leonel Brizola e sua defesa do trabalhador e também de Darcy Ribeiro com seu legado na educação. Fico muito feliz com o convite e até março definirei meus caminhos".
Melhor prefeito
O deputado federal Fábio Mitidieri afirmou nesta sexta-feira que o PSD continua ao lado do prefeito Edvaldo Nogueira, a quem definiu como "o melhor prefeito de Aracaju dos últimos 30 anos". Ele ressaltou ainda que a decisão do PT em lançar candidatura própria na capital representa "o fim de uma aliança vencedora que venceu quatro das últimas cincos eleições em Aracaju".
Correto
"Nós do PSD continuamos ao lado do prefeito Edvaldo Nogueira que é, sem a menor dúvida, o melhor prefeito dos últimos 30 anos da nossa capital. Edvaldo foi correto, amigo e leal ao nosso projeto, ajudando Belivaldo a chegar à vitória em Aracaju em 2018. Gratidão e merecimento!", publicou Mitidieri no Twitter. "Nas últimas cinco eleições em Aracaju, nosso agrupamento venceu quatro. Indiscutivelmente, uma aliança vencedora. A decisão do PT em lançar candidatura própria marca o fim desta aliança e o começo de uma nova história com reflexo direto em 2022", avisou.
Filiados
O PSD tem em sua fileiras o governador Belivaldo Chagas, os deputados estaduais Jefferson Andrade, Maísa Mitidieri, Adailton Martins e Goretti Reis, além do próprio Fábio e os vereadores Nitinho Vitale e José Valter.
DEM com Edvaldo1
Os dois vereadores do DEM – Vinicius Porto e Juvêncio Oliveira – declararam apoio ao prefeito Edvaldo Nogueira e a seu projeto de reeleição. "Continuaremos trabalhando por uma Aracaju mais humana e nas eleições 2020. Foi diante de muitas conversas que nossas ideias se encontraram e conseguimos perceber que poderíamos trabalhar juntos. Em 2020 não vai ser diferente, estaremos lado a lado na busca por uma Aracaju cada vez melhor e no 2º semestre, também nas urnas. Porque um bom trabalho tem que continuar", declarou Vinicius Porto.
DEM com Edvaldo 2
Juvêncio Oliveira também publicou em suas redes sociais uma mensagem em apoio a Edvaldo. "Sou DEM desde o início da minha vida política, mas o cenário do Brasil e do nosso Estado, hoje é completamente diferente de 16 anos atrás, quando entrei para a política. Já fui oposição, já fui situação, sei exatamente como funcionam os dois lados. Hoje estou ao lado de quem faz o melhor que pode pela minha Aracaju e se tem uma coisa que esse cara aí da foto não tem medo é de trabalho", escreveu ele abaixo de uma foto em que aparece ao lado do prefeito.
Explicações
A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), determinou que o Tribunal de Justiça de Sergipe explique o pagamento de cerca de R$ 1 milhão aos 13 desembargadores do estado. A determinação é do corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, que instaurou pedido de providências sobre o tema.
Explicações 2
Segundo o CNJ, a determinação foi feita após o ministro tomar conhecimento pela imprensa de que os 13 desembargadores do TJ-SE teriam recebido, em dezembro de 2019, o valor total de quase R$ 1 milhão em vantagens e indenizações. A reportagem foi publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo". Segundo Martins, a notícia apresenta fatos que merecem ser analisados pela Corregedoria Nacional de Justiça a fim de se apurar a "eventual irregularidade de pagamento de verbas a magistrados".
Com Agências


