A pentavalente virou artigo de luxo, sumiu dos postos de saúde nos quatro cantos do Brasil. Sem a injeção da vacina, fundamental no combate à difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenza tipo b, que causa a meningite, a imunização de bebês de até seis meses fica comprometida. Sobrevivência virou questão de sorte.
A vacina está em falta desde maio do ano passado. Uma remessa com 3,2 milhões de doses, comprada pelo Ministério da Saúde, foi reprovada e não pôde ser utilizada. Como o país não produz a vacina, a compra precisa passar por vários trâmites, o que levou ao atraso no envio aos municípios.
A ausência de cobertura vacinal traduz perfeitamente o desamparo das políticas públicas de saúde no Brasil dos últimos anos. Neste particular, a maior parte do trabalho já tinha sido realizada em governos passados, responsáveis pela erradicação do vírus do sarampo e da poliomielite, por exemplo. Mas o Ministério da Saúde dormiu no ponto. Pior para as mais de 800 vítimas derrubadas pelo sarampo do Oiapoque ao Chuí, em 2018.
Vacina só faz bem. Trata-se aqui de uma conquista civilizatória. Infelizmente, a insuficiência de campanhas públicas capazes de informar a população sobre a importância da imunização trouxe velhos fantasmas de volta à ativa. Sarampo, pólio, difteria, tétano e até febre amarela. O descuido imperdoável dos gestores públicos vem resultando em perdas humanas. É nisso que dá a irresponsabilidade com as questões de saúde pública.


