Os milagres da criação

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Olívia nasceu num do
mingo nublado, quan
do realizou o seu primeiro milagre. Em 19 de janeiro, o bebê de Rebeca e Ricardo Vieira cobriu o céu de nuvens no verão escaldante de Aracaju.
Rebeca cantou e dançou, entre uma contração e outra. Sambou em pleno trabalho de parto. Isso de enfrentar a dor com a maior alegria do mundo diz muito sobre a mulher, além de revelar a artista. Na ponta dos pés, sem uma queixa, ela afirmou uma fé imensa na força da vida. As nuvens fora de hora, um capricho divino, não a assustaram, nem por um segundo.
A leitura é minha, naturalmente. Mas para botar uma criança no mundo é preciso ter certeza absoluta que um momento breve de felicidade genuína paga todas as penas e provações. Em tese, não é muito diferente de redigir uma crônica ou plantar uma árvore. É preciso saber que tudo vai dar certo antes mesmo de esticar o braço, adivinhar o travo da fruta madura, sonhar com delícias impossíveis penduradas no galho mais alto.
A sensação não é nova para o barbudo. Ricardo tem diversas composições para violão solo bem guardadas, de prontidão. Nas apresentações do Duo Vieira, acompanhando o cantador Xangai, o músico dá vazão à veia de arranjador e instrumentista de mãos cheias, capaz de deixar qualquer um de queixo caído. Como diretor musical, já colocou o conhecimento acumulado em décadas de música a serviço dos colegas, generosamente. Agora, parece decidido a se afirmar como o autor que o acento próprio dos arpejos anuncia há anos. E, assim, procede muito bem.
Todo gesto de Criação redunda em uma aposta, uma partida de dados lançados ao acaso. Olívia nasceu. Linda, faminta, preciosa, saudável. ‘Atemporal’, campanha de financiamento coletivo do primeiro disco solo de Ricardo Vieira, resultou vitoriosa poucos dias depois. Com ele é assim, tudo ou nada. Ninguém estranhe de o ver pisando estrelas, distraído, com um bebê chorando nos braços, o coração transbordando, cheio de cuidados, as mãos ocupadas com arranjos de fraldas e as sete cordas do violão.

Rian Santos

Olívia nasceu num do mingo nublado, quan do realizou o seu primeiro milagre. Em 19 de janeiro, o bebê de Rebeca e Ricardo Vieira cobriu o céu de nuvens no verão escaldante de Aracaju.
Rebeca cantou e dançou, entre uma contração e outra. Sambou em pleno trabalho de parto. Isso de enfrentar a dor com a maior alegria do mundo diz muito sobre a mulher, além de revelar a artista. Na ponta dos pés, sem uma queixa, ela afirmou uma fé imensa na força da vida. As nuvens fora de hora, um capricho divino, não a assustaram, nem por um segundo.
A leitura é minha, naturalmente. Mas para botar uma criança no mundo é preciso ter certeza absoluta que um momento breve de felicidade genuína paga todas as penas e provações. Em tese, não é muito diferente de redigir uma crônica ou plantar uma árvore. É preciso saber que tudo vai dar certo antes mesmo de esticar o braço, adivinhar o travo da fruta madura, sonhar com delícias impossíveis penduradas no galho mais alto.
A sensação não é nova para o barbudo. Ricardo tem diversas composições para violão solo bem guardadas, de prontidão. Nas apresentações do Duo Vieira, acompanhando o cantador Xangai, o músico dá vazão à veia de arranjador e instrumentista de mãos cheias, capaz de deixar qualquer um de queixo caído. Como diretor musical, já colocou o conhecimento acumulado em décadas de música a serviço dos colegas, generosamente. Agora, parece decidido a se afirmar como o autor que o acento próprio dos arpejos anuncia há anos. E, assim, procede muito bem.
Todo gesto de Criação redunda em uma aposta, uma partida de dados lançados ao acaso. Olívia nasceu. Linda, faminta, preciosa, saudável. ‘Atemporal’, campanha de financiamento coletivo do primeiro disco solo de Ricardo Vieira, resultou vitoriosa poucos dias depois. Com ele é assim, tudo ou nada. Ninguém estranhe de o ver pisando estrelas, distraído, com um bebê chorando nos braços, o coração transbordando, cheio de cuidados, as mãos ocupadas com arranjos de fraldas e as sete cordas do violão.

 

Compartilhe esta notícia