Feira livre não é sinônimo de bagunça. Em Aracaju, ao menos, não mais. Após uma vida inteira de negligên cia do poder público com o conforto e a saúde da população, o município finalmente pôs ordem no comércio de víveres a céu aberto. A partir de agora, só põe alimento manuseado de maneira inadequada na mesa quem quer.
Os consumidores e comerciantes da feira livre do Batistão, no bairro São José, foram os primeiros a conhecer o padrão imposto pela Prefeitura de Aracaju. Ontem, o novo formato e a infraestrutura de comercialização padronizada finalmente foi posto à prova, com benefícios ambientais e sanitários evidentes.
De fato, algo precisava ser feito.
Em questões de saúde pública, todo cuidado é pouco. Neste particular, poucos assuntos são tão sérios quanto a qualidade do alimento a disposição dos consumidores. A feira livre, a mercearia, açougues e até supermercados, no entanto, tendem a tratar comida como qualquer produto. O consumidor, por outro lado, adota comportamento parecido com o dos empresários e pequenos comerciantes, conformados em assumir um risco desnecessário. A legislação que estabelece parâmetros razoáveis para o abate, o transporte e o comércio de carne é dais mais rigorosas. A estrutura indispensável ao funcionamento dessa cadeia produtiva, por outro lado, é muito dispendiosa. No meio do caminho entre a conveniência e a norma, a negligência se estabeleceu como um perigoso dado cultural dos sergipanos. A carne é fraca. Parece irresponsável, como realmente é. Mas o descaso com o alimento posto na mesa é mais comum do que se imagina.


