* Rômulo Rodrigues
O Partido dos Trabalhadores acaba de completar 42 anos de muitas luas e conquistas e seu maior feito está sendo sobreviver dentro das metamorfoses profundas que passou a sociedade brasileira, sem sucumbir embora, em alguns momentos, derrape em curvas.
Um retrato em preto e branco real foi colocado nas paredes dos quartos de quem queira avançar, sem perder a ternura, pelo traçado arquitetado por Lula, para a única via de reconstrução de uma nação que já foi soberana e que a elite do atraso botou no caminho do rebaixamento de ser uma colônia.
E logo ele, que precisa fazer um esforço magistral e sobre humano para que a plebe ignara que adormeceu em meados dos anos 90, e só veio acordar neste ano de 2022, entenda que já faz alguns anos que há mudanças visíveis novo paradigma da luta de classes e, com isso, quem pautava as lutas naqueles anos, agora está sendo pautado.
É muito importante rever o que aconteceu nas mobilizações e greves de 1970 e 1980 e a sequência do movimento de ocupações de terras improdutivas da década de 1990.
Naqueles tempos, o chão da fábrica, por se peso na economia, ditava a pauta na construção de um novo sindicalismo e de uma nova consciência política da classe trabalhadora, dentro da luta de classes.
Os trabalhadores fabris, saídos de um enorme achatamento salarial e perda do seu maior direito, o de greve, cruzaram os braços e trincaram os pilares de uma sangrenta ditadura militar e do capital e abriram os espaços para a retomada da democracia no país.
A República de São Bernardo do Campo, liderando todo o ABCD paulista, era a voz de um novo Brasil surgindo e projetou para o mundo a maior liderança obreira de todos os tempos.
Um retrato nítido das mudanças está na clareza do recém-empossado presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, Moisés Selerge, ao analisar que as pautas não saem mais de dentro das fábricas, das comissões de fábricas para os sindicatos e daí para o conjunto da sociedade e, ao contrário, elas estão vindo das demandas urbanas para dentro dos locais de trabalho. Ele defende pautas como: Meio-ambiente, Cultura e Juventude.
A feliz conclusão do sindicalista, do berço do novo sindicalismo que emergiu a menos de 50 anos, retrata as mudanças de paradigma da luta de classes que saiu do chão da fábrica e assume o palco do solo urbano.
No traçado histórico, a violência contra as massas trabalhadoras, marcadas por assassinatos como os de Santo Dias da Silva e Manoel Fiel Filho e tantos outros operários em lutas e no campo como os de padre Josimo e Chico Mendes, em defesa das florestas, os agentes do capital trouxeram o centro do combate para ocupações de morros como o sob o comando do general Braga Neto, cujo maior troféu foi o massacre de um músico negro que voltava de uma confraternização com a família, e foi abatido com 80 tiros de fuzis.
Na nova conjuntura, que já está instalada, o Partido dos Trabalhadores tem que ir buscar nos grupos sociais, sua s pautas.
A principal delas deve ser a vida e o grito tem que ser: “Vidas negras importam”. E importam porque é inadmissível a morte do congolês Moise Gabagange, vítima do racismo estrutural e da criminosa reforma trabalhista que impõe ao trabalhador enfrentar sozinho o patrão.
Empurrado pela falta de emprego, Yago Macedo foi oferecer balas a um PM de folga, foi confundido com um assaltante e morto no terminal de Balsas de Niterói, RJ.
Durval, negro, repositor de um supermercado foi morto por um primeiro sargento da marinha, supremacista branco, porque abriu a pochete para tirar a chave de casa, no condomínio onde ambos moravam, confundido com um assaltante.
Jonas, um menino de 9 anos, da zona da mata de Pernambuco, foi executado dentro de casa, embaixo da cama, por pistoleiros do Agronegócio.
A pauta, portanto, tem que ser o combate à pobreza, ao trabalho informal, ao trabalho escravo, ao genocídio estrutural, ao feminicídio e à segregação racial.
Que nenhuma suspeição justifique a pena de morte!
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


