A julgar por decreto do Governo de Sergipe, a pandemia é página virada, acabou. Não bastasse a autorização para qualquer um circular sem máscara, uma atitude considerada temerária por grande parte dos especialistas consultados pela imprensa, Belivaldo Chagas ainda liberou a realização de grandes eventos, sem limite de público – um carnaval fora de hora e de lugar, talvez.
Há quem comemore, naturalmente. O empresário Fabiano Oliveira, por exemplo, não vê a hora de botar o bloco na rua e realizar uma nova edição do Pré Caju. Os planos contrariados pela pandemia podem agora ganhar corpo. Após dois anos de aglomerações proibidas, o comércio de alegria em grande escala está mais uma vez autorizado, impunemente.
Com o avanço da vacinação contra a covid, o cidadão retoma a responsabilidade sobre o próprio destino, escolhe os riscos a que julga proveitoso se submeter, elege prioridades. Os eventos sem restrição de público foram liberados apenas para as cidades em que mais de 75% da população já completou o ciclo de imunização contra a Covid-19.
As restrições seguem válidas para os municípios que ainda não atingiram este patamar de vacinação.
Para todos os efeitos práticos e legais, a pandemia acabou. O que poderia ser feito para evitar o contágio, sem maior prejuízo da rotina econômica de estados e municípios, já foi feito. Mesmo com os obstáculos erguidos pelo governo federal, a população ofereceu o braço para a vacina. Resta agora torcer para o vírus não oferecer resistência ao imunizante.


