“As vítimas da insegurança alimentar fazem parte do extrato social desprezado por Bolsonaro.”
O governo federal não cessa de contar vantagem a respeito dos números da economia. A deflação observada agora, somada à criação ainda tímida, mas regular, de novas vagas de trabalho, atestariam os acertos da política econômica em curso. A comida no prato dos brasileiros mais pobres, entretanto, ainda é escassa, insuficiente para o tamanho de tanta fome.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, registrou queda de 0,73% em agosto, mas os preços dos alimentos, que mais impactam no orçamento dos mais pobres, não para de subir. O leite longa vida, por exemplo, te hoje um preço proibitivo, após alta de 14,21% este mês e alta acumulada de 79,79% no ano.
A fome dos brasileiros – um fato atestado, sobre o qual não paira sombra de dúvidas – não preocupa o presidente Bolsonaro. Em 2021, a insegurança alimentar atingiu patamar recorde entre os brasileiros e superou, pela primeira vez, a média global. Sobre o assunto, trazido à tona por uma pesquisa de abrangência mundial, o presidente não disse uma palavra.
Também pudera, as maiores vítimas da insegurança alimentar fazem parte justamente do extrato social desprezado por Bolsonaro. Entre os mais pobres, 75% dos entrevistados em pesquisa recente responderam que faltou dinheiro para comprar comida ao longo dos 12 meses anteriores. Isso, antes mesmo de a guerra no leste europeu pressionar a inflação global e provocar nova alta no preço dos alimentos.


