Salário de fome

Em passado recente, a política de valorização do salário mínimo produziu impacto positivo na economia, comprovado por todos os números. Mesmo assim, entrou na mira do governo Bolsonaro. Há quatro anos, os reajustes concedidos pelo governo federal repõem tão somente a inflação acumulada nos doze meses anteriores, sem ganho real.
Nem mesmo a campanha eleitoral, a pleno vapor, foi capaz de sensibilizar o presidente, candidato à reeleição. O governo encaminhou proposta de Orçamento que prevê um salário mínimo de R$ 1.302 para 2023. Mais uma vez, não há aumento real.
A lei que deu efeito prático à política de valorização do salário mínimo foi criada no governo da presidente Dilma Rousseff e renovada depois em 2015, com a finalidade de ampliar o poder de compra do trabalhador. A ideia era promover a distribuição de renda e, de quebra, aquecer a economia, abatendo dois coelhos em uma tacada só.
Para o presidente Jair Bolsonaro, entretanto, qualquer aceno às camadas socialmente mais vulneráveis da população significa rasgar dinheiro, coisa de comunista. Segundo o governo de turno, cada centavo acrescentado ao mínimo, por exemplo, deve considerar exclusivamente o custo imediato da operação.
Desde a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência da República, o salário mínimo vem perdendo valor real, poder de compra. O resultado se vê não apenas nas ruas, onde grande parte da população pede esmolas na esperança de vencer a fome. Mas, sobretudo, nas prateleiras dos supermercados. A dupla Bolsonaro e Guedes simplesmente deu fim a um ciclo virtuoso que distribuía renda e gerava riqueza, em benefício da economia.

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