Auxílio eleitoreiro

Com a proximidade das eleições, o presidente Jair Bolsonaro foi tomado por súbita preocupação com os brasileiros mais pobres. A substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, ao arrepio de qualquer planejamento mais consequente, sem previsão no na Lei de Diretrizes Orçamentárias do ano que vem, revela as segunda intenções do presidente.
A proposta do Orçamento de 2023 enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso não inclui previsão de aumento para o Auxílio Brasil, como o presidente/candidato vem alardeando. O valor médio incluído no texto é de R$ 405 – abaixo dos R$ 600 pagos atualmente. O valor atual, aliás, só vale até dezembro.
Bolsonaro, imperativo lembrar, é justamente aquele que fez de tudo para dificultar o pagamento do auxílio emergencial no auge da crise agravada pela pandemia e reduziu o valor do benefício até o limite da esmola, da indignidade.
O Bolsa Família sempre foi atacado por conservadores reacionários da estirpe de Bolsonaro sob a alegação de perpetuar a mendicância. A distribuição de renda era entendida como mero assistencialismo, um desperdício de recursos públicos, mera cartada eleitoreira. Pois bem, em plena campanha, o presidente, eleito pela sob a efígie da meritocracia, revela súbita preocupação pelos deserdados da sorte. Mais explícito, impossível.

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