Fanatismo mata. Na campanha eleitoral em curso no Brasil, marcada por um discurso odiento, que reduz a divergência política a um embate entre o bem e o mal, os cadáveres abundam. Estimulados pelo discurso violento e irresponsável do presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais apoiadores chegam às vias de fato e silenciam seus adversários na bala, a golpes de faca, de pedra e pau.
O Jornal do Dia não recorre aqui a uma figura de linguagem. Já se contam pelo menos duas vítimas fatais abatidas por fanáticos bolsonaristas em razão de sua simpatia pelo presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. No caso mais recente, um homem ainda jovem, com a vida inteira pela frente, foi preso por matar um colega de trabalho após uma discussão motivada por diferenças políticas.
O discurso do presidente Bolsonaro flerta com o a caos e a barbárie. Durante a campanha em que seria eleito presidente da República, Bolsonaro afirmou impunemente que seria preciso “metralhar os petralhas”. Pois bem, agora que suas palavras reverberam na forma de disparos, ele precisa assumir a sua obra. O presidente convoca um levante armado contra seus adversários há meses.
Em julho passado, o assassino de Marcelo Aluizio de Arruda, pai de quatro filhos, entre os quais um bebê de 40 dias, atendeu ao chamado do presidente. Agora, em plena campanha, um trabalhador morreu na ponta a faca, atendendo ao mesmo chamado. Há, ainda, diversos relatos de violência, troca de ofensas, socos e pontapés. Bolsonaro não cometeu tais crimes com as próprias mãos. Mas tem de responder por suas palavras, como a liderança odienta que encarna, impunemente.


