No andor da carruagem, as universidades federais logo estarão a pão e água. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o governo federal formalizou um novo bloqueio de recursos no Ministério da Educação – um contingenciamento da ordem de R$ 328,5 milhões.
Não é a primeira vez que o governo Bolsonaro retém recursos originalmente destinados ao Ministério da Educação. Até o momento, somente no ano corrente, R$ 763 milhões já foram desviados para outros fins.
A Universidade Federal de Sergipe, por exemplo, já enfrenta em um regime de austeridade o mais radical, em função dos bloqueios do governo . Com a redução de cerca de 7,5% nas verbas de custeio e investimento, anunciada pelo Ministério da Educação (MEC) no final de maio, a UFS perdeu um total de R$ 7,5 milhões, e foi obrigada a cancelar programas antes planejados para o ano letivo.
Não foi sem aviso. O ambiente crítico das universidades federais, propício ao debate e à reflexão, nunca foi visto com bons olhos pelos asseclas do bolsonarismo. Durante a campanha eleitoral de 2018, candidaturas simpáticas ao presidente se queixaram das atividades acadêmicas voltadas para o tema das eleições junto aos tribunais eleitorais. E a polícia foi usada indevidamente para enquadrar professores e estudantes. Agora, na impossibilidade de sacar o cassetete, o presidente usa a caneta – sempre com o mesmo propósito sinistro.


