Rômulo Rodrigues
A política, como palco da disputa da hegemonia e, portanto, controle ideológico da sociedade, é sempre um palco iluminado para consagração de algum mentiroso, em alguma época.
A Europa foi sacudida pelo fascismo em 1922 na Itália, pela ascensão e domínio de um terrível mentiroso e pelo nazismo em 1933, por outro muito mais cruel, obedecendo regiamente o que dizia seu marqueteiro; uma mentira seguidamente repetida, ganha força de uma inquestionável verdade.
Na década de 1950, os Estados Unidos da América foram palco da chamada investida contra o avanço comunista, a onda macarthista disseminada pelo senador Joseph McCarty, levando inocentes a serem executados com penas de morte.
Como bem disse Arthur Schopnhauer: “O que o rebanho mais odeia é aquele que pensa diferente, não é tanto a própria opinião, mas a audácia de querer pensar por si mesmo, algo que eles não sabem fazer”.
Seguindo essa lógica a estratégia militar em andamento é doutrinar com mentiras os que não querem saber da verdade.
As mentiras apregoadas por Jair Bolsonaro serão todas destruídas pelos fatos recentes e à disposição de quem queira sair do rebanho e deixar de ser doutrinado.
Jair Bolsonaro mente porque é mitômano; mas os fatos desmentem porque são reais. Ele consegue manter o rebanho unido dizendo que o PT quebrou o Brasil; os fatos divulgados pela mídia e órgãos econômicos dizem o contrário; no fim de 2002, governo FHC, o PIB foi de R$ 1,48 trilhão; no fim de 2015, último ano de governo Dilma, antes do golpe, o PIB foi de R$ 5,90 trilhões. Crescimento de mais de 298%.
No mesmo período; o PIB per capta de; no fim de 2002 R$ 7,6 mil, para no fim de 2015, R$ 28,8 mil. Crescimento de 279%.
A dívida líquida do setor público no fim de 2002 era de 60% do PIB; no fim de 2015, estava em 33,6% do PIB.
O lucro do BNDES em 2002, com FHC, foi de R$ 550 milhões; no fim de 2015foi R$ 6,20 bilhões; enquanto o BB teve desempenho semelhante com lucro no ano de 2002 de R$ 2 bilhões e em 2015 de R$ 14,4 bilhões.
Reservas internacionais líquidas no fim de 2002 eram de U$ 16 bilhões e em final de 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, saltou para U$ 378 bilhões; crescimento superior a 2200%.
Talvez, a maior mentira seja com respeito à Petrobras; ele apregoam que o PT quebrou a estatal e os fatos desmentem. No final de 2002 a Petrobras tinha o valor de mercado de U$ 15 bilhões; em 2015 o valor foi cotado em U$ 180 bilhões.
O Brasil deixou de ser devedor do FMI e ter suas contas monitoradas e suas políticas sociais submetidas ao órgão de controle das finanças de Países endividados; para ser credor com toda autonomia.
A taxa de inflação herdada de 12,5% caiu para 6% em média e o salário mínimo que era de U$ 55, atingiu U$ 405 e hoje patina na casa dos U$ 230.
Na preparação do golpe Aécio Neves foi à tribuna do senado esbravejar que o salário mínimo estava muito alto e prejudicava os lucros da indústria brasileira.
Nos programas eleitorais Bolsonaro insiste nas mentiras de que Lula no governo mandou dinheiro para a Venezuela, Cuba e Bolívia. O governo dele gastou R$ 42 milhões com uma auditoria internacional que nada comprovou a respeito. Ou seja, jogaram dinheiro fora.
A farsa armada por Jair Bolsonaro e Roberto Jeferson confirma as suspeitas deixadas pela visita do padre kelmon, que no dia anterior ao atentado esteve com o próprio Bolsonaro. Há também suspeitas de que a PF sabia de um acordo entre os dois para criar um fato e tumultuar a eleição.
O circo foi armado com duas intenções; 1) desviar as atenções do anúncio de Paulo Guedes de vai congelar o salário mínimoe confisca 25% de todas as aposentadorias e pensões em todos os níveis e; 2) chegar ao dia 25, quando ninguém poderia ser preso, salvo em flagrante delito, e Roberto Jeferson continuar disparando tiros e granadas verbais contra membros da Suprema Corte, impunimente, para causar tumulto e colocar o resultado da eleição, sob suspeita. Só não contavam com a capacidade do ministro Alexandre Moraes de perceber seus intentos e se antecipar com a rapidez devida e o tiro sair pela culatra.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


