Pedro Abel Vieira & Manoel Moacir Costa Macêdo
Para os formuladores de política econômica de mercado, o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo. Para eles, a hora é agora de reverter essa situação pela via do meio ambiente, ou seja pela onda verde.O Brasil no curto prazo, pode se constituir numa potência verde mundial. Matriz energética limpa, fontes naturais de energia e a floresta amazônica. Oportunidades ímpares no cenário mundial.
Não se discute a soberania dos estados, ela está protegida pela legislação nacional e internacional. Acordos e parcerias são os meios da integração. No Brasil, os seus cinco biomas são protegidos pela Constituição Federal: Amazônia, pantanal, caatinga, cerrado e pampa. A caatinga é único genuinamente nacional. Todos sofrendo as agressões humanas. Os dois primeiros são mobilizadores globais. A Amazônia além da biodiversidade estratégica, interfere no regime das chuvas e no aquecimento global. Não se propõe discussões fragmentadas sobre o desmatamento, pobreza, exploração e logística, mas a formulação de um projeto de desenvolvimento sustentável com inclusão social, bem-estar, emprego, renda e respeito aos limites dos recursos naturais na Terra.
Recursos financeiros estão disponíveis na economia globalizada. O “Diálogo de Investidores em Infraestrutura” do G20 estimou em US$ 81 trilhões o volume necessário de investimentos globais em infraestrutura até 2040, sendo US$ 53 trilhões para os países pobres. O Banco Mundial, por sua vez, apreciou que, para as economias emergentes atingirem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU – Organização das Nações Unidas, para 2030, as necessidades de investimento em infraestrutura são de 4,5% de seus PIB anuais.
O Brasil tem investido em infraestrutura, um pouco mais de 2% do seu PIB, com destaque nos biomas Amazônia e Pantanal. Ações emergenciais são urgentes. Repressão rigorosa aos comportamentos ilegais. O desmatamento é um deles. Investir na promoção de recursos latentes. Pesca e aquicultura, produção em sistemas agroflorestais e madeira em sistema de manejo sustentável, são exemplos de produções estabelecidas na Amazônia que merecem apoio e atenção. Exploração sustentável dos biomas. Sistemas agrícolas integrados: lavoura, pecuária e floresta. Produção de palma para adequação ambiental das áreas antropizadas. No caso do Pantanal, além da promoção de atividades latentes, é preciso cuidar da preservação do ciclo das águas, comprometido pela degradação ambiental no bioma cerrado. Ciência e inovação adequadas aos ecossistemas e suas populações são fundamentais à sustentabilidade.
Investimentos em infraestrutura verde deverão ser priorizados em escala global. Melhoria nos serviços de abastecimento de água e saneamento. Mudanças no suprimento de energia, reciclagem dos resíduos, reuso deágua e eficiência energética das moradias. A geração de energia no Brasil pode ser fomentada por fontes alternativas como a biomassa, fotovoltaica,eólica e hidroelétrica.
A escassez de opções verdes para investimentos, particularmente em economias como o Brasil, e o excesso de poupança aplicada em formas líquidas e de baixo retorno na economia global, estão em processo de expansão. Um alento para um País com déficit em infraestrutura e considerado uma “potência ambiental”. O desafio é ampliar as pontes entre o investimento verde e as fontes privadas. Para tanto, é necessário iniciativas, como o desenvolvimento de projetos estruturados, com retornos definidos e em conformidade com as preferências dos investidores e minimização dos riscos.
Um mundo mais verde é possível e traz oportunidades para o Brasil, tendo em vista as sinergias bilaterais nas agendas de comércio, investimento e cooperação. Proteger os biomas, estimular a bioeconomia, desenvolver com sustentabilidade a Amazônia e o Pantanal e investir em infraestrutura é o negócio verde do Brasil.
Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são engenheiros agrônomos


