FIM DE UM PERÍODO DE TREVAS E O RENASCER DA ESPERANÇA

Rômulo Rodrigues

Para todos e todas que viram e ouviram os discursos de Lula nas cerimônias de posse e transmissão de faixa do povo para ele, inaugurando um novo protocolo simbólico de transmissão, que deverá vigorar daqui pra frente, e se deram por satisfeito, digo, se perderam o discurso de Fernando Haddad, na sua posse como ministro da Fazenda, não curtiram a festa toda.
Haddad foi preciso, enfático, cirúrgico e deu uma aula de economia e política, colocando a governança acima do perfil contábil.
Foi didático ao dizer porque a LAI – Lei de Acesso à Informação vai ser rigorosamente cumprida com a transição ecológica e que o norte foi dado na aprovação da PEC da Transição, deixando claro que; é a economia, estúpidos.
Teve um momento em que disse a um dos auxiliares; vamos em frente que eles já começaram a bater. O Portal R-7 saiu na frente anunciando que a Bolsa recua com ações e a Petrobras desaba 6%.
Puro terror. Olhando bem, a Bolsa, representante primeira do Deus mercado, é onde reina um conceito muito comum; o mentiroso inventa a mentira, o fofoqueiro espalha, e o idiota acredita. Rigorosamente, está ai, o alimento mais vitaminado do capitalismo.
O retrato em branco e preto de um golpe que foi dado porque o País estava no caminho certo é voltar ao maior período de crescimento econômico vendo na radiografia da PEC da Transição que debaixo do tapete da sala da mentira, está escondido um rombo de R$ 300 bilhões e projetado um déficit de mais de R$ 200 bilhões.
O momento atual em que o Brasil inicia o terceiro ciclo de mandato democrático e popular, com o retorno do Presidente Lula, só me cabe repetir o que fiz há 20 anos, nos primeiros dias de janeiro.
De posse de uma lista de 65 itens de produtos básicos e constantes das compras do quotidiano da família fui fazer uma tomada de preços para acompanhar suas variações e ver como se comportaria a inflação no decorrer do ano.
Sabendo desde sempre que o que baliza um governo é a economia, antes mesmo da política fiz comparações como, por exemplo: o salário mínimo herdado do governo FHC, dava para comprar 55 dólares e também, uma cesta básica, com sobra de R$ 6,00 para as passagens de ônibus.
No final dos 8 anos de governo Lula, o salário mínimo comprava mais de 200 dólares e 3 cestas básicas com sobra para algumas compra extras.
No período foram criados mais de 20 milhões de empregos com carteiras assinadas e a elevação do salário mínimo a 76% de ganhos reais acima da inflação, no maior crescimento de poder de compra da história, e já começa 2023 com aumento de 8,9%.
Os dois governos de Lula não fizeram a revolução que alguns esperavam, de colocar os de cima para baixo e os de baixo para cima, era querer o impossível.
Porém, fez uma revolução possível colocando os de baixo um pouco para cima, sem impedir que os de cima também ascendessem.
Foi ai, que foi dado o nó no rabo do porco. Conseguir aplicar políticas públicas que acabaram com a secular chaga da fome e promover a maior inclusão social da história através dos dois eixos; incluir pelo direito e incluir pela renda, se tornou algo insuportável para a Elite do Atraso e as reações foram tão violentas quanto foram assertivos os programas.
No nó do rabo do porco estava um fenômeno visível para quem tem noção e invisível para os descerebrados; é que os 5% que detêm 95% da renda do País, são os que fabricam o ódio, mas não disseminam, apenas desamarram o cavalo e distribuem para o time do muito que é formado pelos que estão muito longe de serem ricos, muito perto de serem pobres e muito alienados para saberem quem são na fila do pão.
Mesmo assim, o jogo não está perdido; a esperança voltou e daqui a um ano, voltarei às fontes da minha pesquisa para ver, novamente todos os preços, compará-los com o novo salário mínimo, ver os preços dos combustíveis e os níveis de emprego e poder dizer: Vá de retro satanás, a Califórnia te espera.

Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.

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