Antes tarde

Basta um pingo de boa vontade, a disposição manifesta de alguma autoridade graduada, para o passo quase sempre claudicante da Justiça adquirir um ritmo mais razoável – já que seria inadequado dizê-lo célere.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, determinou ao secretário nacional de Acesso à Justiça, Marivaldo Pereira, que adote as providências necessárias para que o Estado brasileiro indenize a família de Genivaldo de Jesus Santos, morto no ano passado em Sergipe, durante uma abordagem de policiais rodoviários federais em Sergipe.
Antes tarde do que nunca. O corporativismo da Polícia Rodoviária Federal, capaz de macular a reputação de toda a corporação, a fim de resguardar os criminosos infiltrados em seus quadros, chega a ponto de ignorar um dos flagrantes mais escandalosos já registrados no Brasil. Ainda reverbera na memória coletiva a declaração mentirosa de sua assessoria de imprensa, que atribuiu a causa mortis de um cidadão sob a custódia de seus policiais a um “mal súbito”.
O caso é revoltante. A tortura e o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos foram documentados pela população, por meio de câmeras de aparelho celular. Tudo se deu em via pública, em plena luz do dia. Entretanto, embora jamais tenha pesado alguma sombra de dúvida sobre a autoria dos crimes, a Polícia Federal teimou em postergar a conclusão do inquérito aberto para elucidar o episódio, período no qual os assassinos de Genivaldo permaneceram livres, impunes.
Somente agora, com a troca de guarda no primeiro escalão da República, fala-se em agilizar o processo legal, reconhecendo a responsabilidade do Estado. Um homem morreu acusado de cometer simples infração de trânsito, sob a custódia de policiais armados, servidores públicos.

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