“É bom os deputados recém empossados demonstrarem disposição para o trabalho.”
A disputa em torno da presidência da Câmara e, sobretudo, do Senado Federal, ganhou contornos de terceiro turno. Isso, em função do esforço realizado pelo ex presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas, no sentido de emplacar um candidato alinhado com suas ideias, por assim dizer, francamente reacionárias.
A disputa acirrada entre Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Rogério Marinho (PL-RN) pela presidência do Senado e a confirmação de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara, marcaram as eleições no Congresso Nacional. Nas assembleias estaduais, contudo, não é muito diferente. Apesar de ter sido derrotado na disputa pela presidência da República, a extrema direita tem ainda muitos representantes eleitos, inclusive pelos sergipanos.
Há quem diga que os principais responsáveis pela crise política em curso no País encontram-se nas casas legislativas. Seria assim no primeiro escalão da República, onde os poderosos pintam e bordam. E a revisão dos fatos mais recentes, ocorridos em âmbito estadual e municipal, aponta a responsabilidade dos que atuam no quintal sergipano, também. O uso indevido das famigeradas verbas de subvenção, já esquecido, porém ainda recente, atestam a defasagem de representatividade em âmbito estadual.
Agraciados com salários polpudos, depositados sempre rigorosamente em dia, os legisladores locais estão entre os poucos servidores públicos que não sofreram na pele os efeitos da crise econômica em curso no estado. Apesar da recompensa vultosa, contudo, os bem pagos deputados estaduais não mostram serviço. Embora atuação tão pouco proveitosa não configure crime, também não há de ser desculpada pelos eleitores, como demonstra uma ligeira renovação observada agora no parlamento estadual. É bom os deputados recém empossados demonstrarem disposição para o trabalho.


