PARABÉNS E VIDA LONGA JORNAL DO DIA

Rômulo Rodrigues

O Jornal do dia está completando 18 anos, idade que quando era adolescente era ansiosamente esperada, para poder assistir a filmes impróprios.O fato histórico significa que seu parto aconteceu dentro da maior ofensiva contra um governo democrático e popular exercendo metade do seu primeiro mandato.
Foi o período em que a imprensa escrita entregava seu controle acionário aos financistas e tentava se consolidar e viver seu apogeu, com uma cruzada de narrativas pautadas no denuncismo mais aprimorado e contundente que o que havia feito antes, principalmente contra o governo Getúlio Vargas.
Por falar em Getúlio Vargas, foi com muita insistência que o jornalista Samuel Wainer convenceu o então presidente da República de que ele precisava ter um Jornal que defendesse seu governo dos ataques sistemáticos da grande imprensa, para que esse autorizasse o Banco do Brasil emprestar o dinheiro para a criação de a Última Hora, que entrou com nova pauta até a ditadura militar decretar seu fechamento.
Com a submissão de toda a grande imprensa à ditadura militar; uma parte pela censura, outra pela adesão descarada e outra por medo e covardia, o oxigênio democrático só volta a dar um pouco de alento à imprensa de esquerda, das organizações partidárias, com o surgimento do semanal “O Pasquim”, que galvaniza as atenções da juventude ávida por meios inspiradores para contestar o regime, ainda mais com inteligência, bom humor e irreverência, que durou enquanto a genialidade dos autores pode resistir.
Com o fim da ditadura e o renascer da esperança democrática, o que se viu foi que o uso dos cachimbos usados pelos barões da velha imprensa fizeram com que suas bocas ficassem tortas.
O pequeno Estado de Sergipe não poderia ter ficado imune ao processo de definhamento dos outrora conhecidos organizadores coletivos que mandaram por muito tempo no processo de transformar a opinião publicada dos donos da imprensa em opinião pública, e foi assim que acompanhando as mortes lentas e graduais do que acontecia nas principais capitais do País, notadamente São Paulo e Rio de Janeiro que, por aqui, os bons jornais foram minguando de páginas, de textos e de conteúdos; e os que sobraram, são páginas impressas que já não chegam a despertar muitas atenções.
Porém, como costumeiramente dizia o grande e irrequieto escritor, ator e polêmico Plinio Marcos de Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite suja, em tudo na vida tem sempre um Porém.
E foi aí, para não contrariar a genialidade do teatrólogo irreverente das veias abertas do Cais de Santos que o velho operário de Caicó, já enraizado nas benditas terras de Sergipe, com o vício de leitor de jornais, costume herdado do pai, Júlio Rodrigues, que desde tenra idade, que via chegar pelo ônibus dos correios, à sua querida capital do Seridó, os jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil quando, há 18 anos se deparou com um Jornal meio parecido com um tablóide com o título chamativo de Jornal do Dia.
Jornal novo na banca, para quem é leitor contumaz, tem sempre um chamativo pela curiosidade. Formato tabloide, tipo o Pasquim e EmTempo, já fica irresistível.
De cara, vejo no expediente os nomes de Elenilton Pereira e Gilvan Manoel, como garantias claras do compromisso com a pluralidade democrática e mais pra dentro rubricas dos mais expressivos e polêmicos articulistas do campo progressista e comprometidos com as boas análises e as verdades dos fatos.
Em outubro de 2007, provocado pelo grande amigo, professor e intelectual brilhante de origem afrodescendente Florival Souza Filho, escrevi um artigo, mandei e foi publicado. E assim, sigo em frente na certeza de que com ele, sempre existirá imprensa livre.

Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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