Nascemos aqui, predispostos a convivermos com o cada dia do problema, como encará-lo, estudarmos os fatores que o cercam, mitigar seus efeitos, captar as raras gotas de chuva, armazenando-as em cisternas, ou construindo barragens
Inocêncio Nóbrega
A seca, desastre natural, de forma recorrente, que atinge todo Nordeste, mais um pouco do solo mineiro, ocasiona vultosos estragos de ordem econômica e social. A literatura, a respeito, desse e de suas consequências é abundante, trazendo-nos histórias de desespero, vividas pelos nordestinos do semiárido. O precioso líquido torna-se escasso, para o homem e animais, também. Há casos que vêm junto à fome. A saúde deteriora-se. A inanição toma conta de seu corpo, apressando a morte. É um quadro desolador, a afetar famílias inteiras, que desesperadas, sem o futuro que esperam, resolvem emigrar.
Nascemos aqui, predispostos a convivermos com o cada dia do problema, como encará-lo, estudarmos os fatores que o cercam, mitigar seus efeitos, captar as raras gotas de chuva, armazenando-as em cisternas, ou construindo barragens. Municípios, como o de Cabaceiras, na Paraíba, detém menor índice pluviométrico do país. Efetivas intenções governamentais de combate, de um modo abrangente, são medíocres e de pouca eficiência. O Imperador Pedro II chocou-se quando aqui nos visitara, em 1847, anunciando a possibilidade de transpor águas mineiras, através do Rio S. Francisco.
Só mesmo um pau-de-arara transformou essa ideia em realidade, quando Presidente da República: Lula. Projeto que engrandece nossa engenharia, no seu curso sendo barrado por setores egoístas e da mesquinha política. Desde sua inauguração do 1º trecho, por Dilma Rousseff, em agosto/2015, parte dos 12 milhões de beneficiários dessa obra aprendeu a sorrir, e as cidadelas tomaram indiscutível impulso.
No momento, o grito é outro. É o excesso de água. O cataclismo, na área litorânea paulista, alcança cinco perímetros urbanos, principalmente S. Sebastião. A situação já não é de sede, mas de deslizamentos, provocando dezenas de mortos, inclusive castigando os que provieram de suas terras natais, embora encontrando o necessário refrigério nas bandas do sul. Coisas do destino!
O Presidente Lula, novamente é exigido. Com as autoridades do Estado presta, em nome da consciência nacional, os socorros de urgência, com a promessa de transpor centenas de desabrigados, dos locais de risco para os de maior segurança. E a cumprirá, certamente, como fez com seus irmãos do Nordeste, evitando padecimento por sede, agora por afogamento.
A natureza é assim, as tragédias se dão, por vezes, de forma oposta. Ademais numa nação de tão extenso território. Horas de agonia, numa região de prosperidade econômica, justificam a sentida apreensão; anos de agonia, provocando apressadas mortes, extenuados por falta de comida, sem que haja registros.
Inocêncio Nóbrega, jornalista.


