Rômulo Rodrigues
Na semana em que um árbitro catarinense fez valer seu preconceito de origem e prejudicou vergonhosamente a equipe de futebol do Sergipe, beneficiando o Botafogo, tive que puxar na memória um dos muitos botafoguenses que admirei pelos caminhos da vida.
O nome dele era Armando Nogueira, jornalista esportivo que chegou a ser diretor de jornalismo da toda poderosa Rede Globo de Televisão. Intelectualmente muito preparado, coisa que não se vê hoje em dia, cunhou uma frase, que interpretada por medíocres seguidores é um desastre, mas que era um alerta para a busca da essência da notícia e não, da interpretação.
Disse ele; se um cachorro morder uma pessoa, isso não é notícia. Se uma pessoa morder um cachorro, aí sim, temos uma notícia.
Interpretando o pensamento do autor ao pé da letra, gerações que o sucederam estão se perdendo na mediocridade.
Vivemos um momento em que essa escória midiática passa por cima da enxurrada de escândalos que mostram as verdadeiras faces dos antes queridos Messias Bolsonaro colocados por eles no poder, pela disseminação das mentiras e propagação do ódio contra a própria democracia brasileira, o Partido dos Trabalhadores, o agora presidente Lula, contra José Dirceu, José Genuíno e Dilma Rousseff, sendo inclusive responsável pelas mortes de D. Marisa Letícia e seu neto Artur e ignora o sentido do humor ferino na piada: “Num avião da FAB um tripulante pergunta para outro; tudo joia? O outro responde, não: metade é cocaína”! A tudo escuta com ouvido de mercador.
Mesmo o ministério da justiça tendo determinado abertura de inquérito para investigar Jair e Michelle, antes de condenar e execrar, pelos crimes de corrupção, contrabando e lavagem de dinheiro, não se viu nenhum helicóptero global sobrevoando os bunkers militares, nenhum duto jorrando pérolas e diamante como pano de fundo dos seus telejornais. Estranho, né?
O arguto senso investigativo dos tempos áureos da lava jato não descobre nenhum delator sequer, para dar uma premiada sobre como se processou o milagre de vender a Refinaria Landulfo Alves, que valia R$ 21 bilhões por apenas R$ 10 bilhões, preço avaliado pelo Banco do Posto Ipiranga, a um fundo de investimento de um Sheik da Arábia Saudita e, por pura gentileza, a Michelle ganhar joias no valor de R$ 16,5 milhões e, só para não perder a prática, tentar contrabandear?
Se não bastasse o pacotão de joias que mobilizou todo o alto escalão do desgoverno na tentativa de liberação do contrabando com pressão de coronel ajudante de ordens do contraventor mor e almirante de esquadra, ainda tem um pacotinho com outras joias menores levadas diretamente para o chefe sem passar na fiscalização.
O estarrecedor nos casos comprovados por documentações oficiais não tem causado 1% de indignação e de exposição desmoralizante como aconteceu na compra de dois pedalinhos, no valor de R$ 5 mil, feita por D. Marisa Leticia para que os netos curtissem laser no sitio de um afilhado que vinha a ser filho de um companheiro de lutas e militância do marido, de longas datas.
Dizer que a esposa do ex-presidente Lula foi assassinada seria a mais pura verdade devido a violência da invasão do apartamento onde morava o casal feita pelos jagunços a serviço da lava jato comandada pelo juiz corrupto Sergio Moro, que cometeram o abuso de levar o tablete do neto Artur que também morreu vítima da violência reinante, e nem assim, os algozes devolveram o brinquedo à família.
A sociedade brasileira necessita que seja divulgado massivamente que D. Marisa Letícia quando em viajem acompanhando o marido, presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu joias como presentes nesse mesmo País e procedeu da forma republicana que o cargo e a ética exigiam; declarou à Receita Federal, cumpriu os procedimentos aduaneiros e doou tudo para o programa Fome Zero.
Liberdade de imprensa não é explorar como mal de origem que uma primeira dama tenha sido empregada doméstica, operária, casada com um operário, militante política de vanguarda da classe trabalhadora e acobertar que outra tenha sido garota de programa, tenha tido filho de homem casado, casado, seja casada com um desqualificado e apresentada como defensora da família brasileira.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


