A deputada Linda Brasil foi ao púlpito da Assembleia Legislativa de Sergipe para reclamar o direito à vida.
Oportuna, a reclamação de Linda não tem nada de oportunista, embora tenha sido realizada âs vésperas da Semana de Luta Pelo Fim das Violências Contra a População LGBTQIA+. Brasil afora, os crimes de ódio continuam a matar gente feito moscas.
Segundo a deputada, uma pessoa LGBTQIA+ é morta brutalmente no país a cada 32 horas. O levantamento foi feito com base nos registros referentes ao ano de 2022, mera estimativa. Levando-se em conta a subnotificação, o número de casos certamente é muito maior.
Os dados dão a impressão de que existem dois lugares simbólicos demarcados no território nacional. Há o Brasil do papel, no qual os princípios de igualdade são resguardados pela Constituição Federal. E há também o País de verdade, povoado de preconceito, racismo, machismo, homofobia, todo tipo de intolerância, em suma, onde a convivência entre os diferentes é resolvida no braço ou pior, sempre mediante o emprego da força bruta.
Violência contra minorias sempre existiu no Brasil. Mulheres, negros, gays e quilombolas nunca tiveram vida fácil. Hoje, no entanto, em razão de uma representação política ainda tímida, mas atuante, os marginalizados já não morrem calados, sem alguém que lhes reclame justiça, como bichos. O mandato de Linda Brasil, a primeira travesti eleita deputada em Sergipe, é uma prova disso.

