São Francisco moribundo

A rizicultura tem o potencial de dizimar a população ribeirinha às margens do rio São Francisco, por força da poluição. A denúncia é da Associação de Mulheres e Homens Pescadores de Nossa Senhora Aparecida, no povoado Serrão, em Ilha das Flores. E merece a atenção das autoridades estaduais.
Segundo a presidente da Associação, Zilda Souza, a região da Engazeira, no povoado do Serrão, é onde o problema da poluição das águas do Rio São Francisco é mais grave. Ela cita o exemplo do riacho Bong, que atravessa o município Ilha das Flores e leva água limpa para a agricultura e principalmente para a rizicultura. No entanto, após a água doce e limpa ser captada e usada pela rizicultura, ela é devolvida suja para o riacho que desagua no Rio São Francisco, principal bacia hidrográfica da região Nordeste.
Não são poucas as ameaças pendendo sobre o maior e mais precioso curso de água banhando o nordeste brasileiro. Como se não bastasse a exploração muitas vezes predatória para a geração de energia elétrica, à revelia da Política Nacional dos Recursos Hídricos, há também problemas de ordem ecológica e ambiental, além do contestável projeto de transposição em curso e as implicações sociais da peleja.
Quando o São Francisco sofre, os ribeirinhos gemem junto. Infelizmente, apesar do contexto, quando a debilidade do velho Chico reclama providências imediatas e a sua efetiva revitalização, com a indispensável recuperação das matas ciliares, por exemplo, a preocupação com a vitalidade do São Francisco não passa de projeto. E o rio, mais a população às margens do veio de água, sucumbe impunemente.

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