Mulheres na ponta

Ao contrário do raciocínio consagrado durante muito tempo, a dependência provocada pelo consumo de drogas não é um problema relacionado exclusivamente aos índices de criminalidade. Responsabilidade das políticas públicas de saúde, o tratamento dos viciados toca em questões complexas, sobretudo quando o paciente é vítima de um contexto social excludente, que o expõe à drogadição. Mesmo assim, por óbvio, a polícia segue enxugando gelo, fechando bocas de fumo, reprimindo o tráfico como pode.
Duas mulheres foram presas em flagrante durante uma operação policial contra tráfico de drogas e homicídios nos municípios de Maruim, Santo Amaro das Brotas e Riachuelo, na manhã desta quinta-feira. Mesmo sem um levantamento, um número preciso, as custodiadas em presídios femininos condenadas por tráfico sugerem a emergência de um problema crescente.
Mulheres pobres e negras estão na ponta da superexploração do tráfico de drogas e expostas a uma série de violências. Além disso, a repressão à venda dessas substâncias pelas forças de segurança acaba atingindo de forma desigual as camadas mais vulneráveis da população.
Equivocada, a postura contrária ao tratamento os pendentes, apegada à ideia que reduz o usuário a um bandido, evita um embate franco com a questão das drogas e seus desdobramentos nos campos da violência e da saúde. Não se pode simplificar essa discussão com argumentos isolados, sejam eles de natureza moral, jurídico-legal, médica ou policial. A experiência prova que a repressão pura e simples não dá conta do problema.

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