O BRASIL POR DENTRO E POR FORA

* Rômulo Rodrigues

Nada melhor para iniciar e vivenciar o último domingo de junho, de São João e também do 1º semestre de 2024, do que puxar pela memória um inesquecível pensamento de João Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta; o que ela quer da gente é coragem”.
É exatamente isto que o presidente Lula nos transmite todo santo dia num governar aplicando a dialética dentro do que ensina Mário Sergio Cortela. Quero, Devo, Posso?
Voltando ao grande Guimarães; o dólar sobe ou desce ao sabor das confusões mentais do já esclerosado presidente dos EUA e do aperta e frouxa dos agiotas do mercado, no também jogo de só sossega na desinquietação, quando derrubar o governo.
Ocorre que, meia hora depois da subida do dólar, o presidente Lula fez um discurso cirúrgico contra os pistoleiros ideológicos da grande mídia e os consagrados mitômanos correm para os poleiros de servidão e anunciam: discurso de Lula faz o dólar subir e o real se desvalorizar.
No outro dia a realidade dialética pede passagem na passarela da agiotagem, o dólar cai e o real sobe e eles, cinicamente fazem boca de siri.
São uns canalhas; enquanto um discurso do presidente assanha o jornalismo vendido ao mercado, o silencio sepulcral predomina quando o assunto deveria ser o crime de responsabilidade de Campos Neto.
Outro crime notório do presidente do BC foi estampado quando foi votar com a camisa verde e amarela do golpe de 2016, anunciando o voto em Bolsonaro e dizendo aos financistas que a regulação da taxa de juros para a economia era do setor privado.
Um presidente do banco regulador monetário do país agindo para que o dólar suba a cada pregão da bolsa de valores, não tem como não provocar a disparada da inflação, por mais que o governo atenda à pauta dos gananciosos e é o que faz o facínora que está no cargo.
Comanda um grande movimento especulativo para desvalorizar a moeda do país e provocar ondas de insatisfações pelas subidas dos preços atrelados à moeda americana, gerando insatisfações populares para desestabilizar mais um governo eleito pela vontade soberana da maioria do eleitorado brasileiro.
É certo que o governo do presidente Lula precisa continuar agindo estrategicamente como vem agindo e, passar confiança para a população, reafirmando que se o Brasil voltou, voltou para ficar, para o bem do povo.
Os obstáculos que enfrenta e enfrentará estão sendo vencidos e, não dependem só do governo, pois tem uma conjuntura em ebulição em todos os continentes.
Pelo lado de fora, pulando nossas cercas existem crises muito maiores do que as enfrentadas aqui como, por exemplo: o rombo fiscal americano que chega a ser maior que a própria arrecadação do governo central, maquiado com emissão sem limites da moeda, cuja função é fabricar e manter guerras em outros países como na Faixa de Gaza e na Ucrânia, que aqui, um déficit de 2,9% é estopim para a guerra ideológica interna que alimenta todos os veículos de comunicação do baronato, 24 horas por dia, todos os dias.
Em termos proporcionais, o rombo dado nas Lojas Americanas por uma versão dos Irmãos Metralha, foi bem maior e serve para atestar a falta de caráter dos que não enxergaram e os que não quiseram enxergar por que foi feito por gente do clube.
A recente eleição parlamentar na França é um exemplo da falácia. Toda a mídia corporativa verbaliza que a extrema direita venceu as eleições e baixa o tom para dizer que foi só no 1º turno, onde 33% é preocupante e também não esclarece que as bandeiras de lá são muito diferentes das daqui.
No momento, as notícias de lá dão conta de que as outras forças estão discutindo práticas e táticas para o enfrentamento do 2º turno no domingo que vem.
O alarde é feito porque precisam manter acesas as chamas do fascismo, à espera de uma explosão inflacionária a partir da política monetarista do BC que, se o discurso de Lula não frear, vai massacras milhões de famílias brasileiras, cujo contingente de quase 30 milhões tiradas do mapa da fome em 18 meses de governo é considerado intolerável por eles, principalmente, quando lá fora, a diplomacia brasileira sai consagrada na reunião da cúpula da Paz.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

 

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