O forró de meus sonhos

Feliz e nada mais(Arquivo)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
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Um menino me acena de longe, alegre, irreal, coberto pelo verniz ocre de outro tempo. Tabaréu de apartamento, ostenta chapéu de palha e bigodes falsos, remendos encomendados à costureira da família, acredita piamente no dente pintado de podre das meninas. De verdade, suponho, resta a fotografia – mas como dói!
O forró de meus sonhos cabe numa Polaroid. Modesto, doméstico, muito diferente dos grandes eventos anunciados pelo poder público municipal sob o justo pretexto de alegrar as massas. Em minha lembrança há calor de fogueiras, papoco de bombas, limalha de busca pé e outros fogos de artifício. Os jovens se apalpam no escuro, por tesão, por brincadeira, enquanto famílias inteiras jogam conversa fora, à porta de casa, até bem tarde. Há música alta e comida farta. É São João, afinal.
Para gente como eu, doente de saudades, a Prefeitura de Aracaju faz também um aceno, uma concessão. Trata-se aqui do forró descentralizado anunciado pela prefeita Emília Corrêa, muito parecido com o Forró nos Bairros da gestão passada. A administração municipal reconhece, assim, mais uma vez, que o Forró Caju já não é movido a sanfona, triângulo, zabumba. Mas a cifras de milhões.
It’s all business! Nos bairros de Aracaju, contudo, promessa renovada, a conferir, os santos de junho serão celebrados à moda antiga – quando eu era feliz e nada mais.
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