Escravas do lar

O trabalhador doméstico é tão merecedor das garantias previstas em lei quanto professores, motoristas, médicos, policiais e pedreiros

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O trabalho escravo em ambiente doméstico, uma anomalia camuflada por supostas relações de afeto, é tão violento quanto o silvo da chibata que ecoa desde a memória dos pelourinhos. Apesar disso, foi naturalizado pela deformação das relações sociais no Brasil.

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Em Sergipe, não havia registros do crime, até agora. Após denúncia anônima, uma força-tarefa resgatou uma idosa, vítima de trabalho escravo doméstico, em Aracaju.

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Trata-se de uma senhora com sessenta e seis anos – mais da metade deles dedicados ao conforto alheio. Ela vivia há mais de 40 anos na residência de seus exploradores. Sem férias, sem descanso semanal e sem salário.

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Às vezes é preciso realçar o óbvio. O trabalhador doméstico é tão merecedor das garantias previstas em lei quanto professores, motoristas, médicos, policiais e pedreiros. Apesar disso, ainda precisa lutar por garantias básicas, a exemplo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), abono salarial, seguro-desemprego e pagamento de horas extras.

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A carteira assinada é uma pretensão que só ganhou amparo legal muito recentemente. Qualquer relação de trabalho diversa, no entanto, evoca o arbítrio das senzalas, a escravidão.

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