‘Luck and Strange’

Há beleza no mundo (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
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Toda semana, rasgo a BR como um solo do Pink Floyd. Entre Aracaju e Maceió, ida e volta, já vi quase tudo o possível de se ver em uma estrada.
Há beleza no mundo. Há, também, dor e brutalidade. A mão do homem, capaz de cometer o teto da capela Cistina, as nove sinfonias de Beethoven, quase sempre se ocupa mesmo é da subtração e da maldade.
‘Luck and Strange’, o álbum mais recente de David Gilmour, reverbera inefável numa curva tomada pela neblina. Ali, onde mora o perigo, há quem brinque com a própria vida, quem coloque em risco a vida dos outros. Quando ocorre o pior, o sangue derramado é tomado por fatalidade.
Leio sobre um acidente com três vítimas fatais, incluindo um vereador de Frei Paulo, numa rodovia estadual de Sergipe. Mas não é sobre esse episódio que escrevo. Refiro-me, antes, à previsibilidade dos caminhões tombados. É raro ir de um ponto a outro, entre duas cidades, sem fazer o sinal da cruz, convertido pela vulnerabilidade do ser humano. Sem a ilusão da eternidade, o homem é frágil.
Escrevo, isso sim, sobre a aventura rala de pegar a estrada toda semana. Desprovido da bengala de uma religião, rogo a Deus por mais um pouco de tempo, mais um pouco de sorte. Sem saber uma prece de cor, boto a guitarra de Gilmour para rezar.
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