Eu e os barões do café

Amor maior do que a pátria(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
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Bebo café todos os dias. O conluio da família  Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos tem, para mim, portanto, o sabor forte de uma rotina cultivada com muito gosto.
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Salivo. O silvo do bule, o perfume pronunciado da bebida, a imagem da caneca fumegante me comove como um poema de Adélia Prado. Sob o efeito do café, só o meu coração se agita. Tudo o mais resta aquietado.
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Os barões do café têm milhões de motivos e um saco cheio de moedas de ouro para vociferar contra Trump. Eu não. Condeno-lhe a peruca, o penteado, a retorica beligerante, a ousadia e a mentira, além da tez laranja. O homem não tem modos, nem escrúpulos. Se as bravatas dignas de um monarca louco deixarem o café doméstico uns tostões mais barato, cá pra nós, entretanto, o aborrecimento causado no primeiro escalão da República restará bem pago.
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Sou um homem de muitos vícios, eu confesso. Amo o café, mais do que a pátria.
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